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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

Notícia

O Polígrafo e a SIC

O conjunto de suspeitas éticas e deontológicas que recaem sobre o criador do site é grave e não deve ser menosprezado pela classe jornalística. Rubrica faz parte do 'Jornal da Noite', à segunda-feira
22 de novembro de 2019 às 12:48
Fernando Esteves, jornalista, polígrafo, sic
Fernando Esteves, jornalista, polígrafo, sic Foto: D.R.

O conjunto de suspeitas éticas e deontológicas que resulta das denúncias, feitas nos últimos dias, quer no âmbito da acusação judicial do processo da "máfia do sangue", quer pela investigação do semanário Sol, deve ser levado muito a sério pela comunidade jornalística, porque os cidadãos podem tomar o todo pelas partes e julgar, precipitadamente, toda a profissão pela prática de um só indivíduo.

E o pior que pode acontecer ao jornalismo, por maiores que sejam o ódio e a irracionalidade sem critério espalhados pelas redes sociais, é deixar medrar o sentimento de que "afinal os jornalistas são como os outros", sendo aqui os "outros" entendidos como o conjunto de profissões que a sociedade identifica com princípios venais, e que até aqui tem distinguido, e bem, dos jornalistas.

Voltemos ao Polígrafo. Em tempos, os leitores sabem que esta página já denunciou o "marketing da mentira" representado por este tipo de dispositivos. À boleia de uma suposta verificação de factos, o Polígrafo faz recurso a boatos, mentiras e invenções para sobreviver, desmentindo-os, como se tal descoberta fosse nova e relevante.

Agora, o que está em causa nas notícias sobre o responsável, Fernando Esteves, é mais grave. Trata-se da fundada desconfiança da rentabilização comercial do título de jornalista. Ora, não podemos esquecer que o Polígrafo também é uma rubrica do jornal da SIC, apresentada por um subdiretor da estação. O dano reputacional é pesado, quer para a SIC, quer para Bernardo Ferrão.

CHAPÉUS HÁ MUITOS

Seis anos depois da inovação ter sido criada, em Portugal, pela CMTV, a SIC estreou agora um chapéu de chuva com a sua marca à transparência, um adereço altamente televisivo e que demonstra o enorme esforço que a estação está a fazer para recuperar os vários anos perdidos face à concorrência.

ALCOCHETE

O início do julgamento foi o pretexto para que as televisões recuperassem as imagens, históricas como poucas, do ataque à Academia de Alcochete. Ocasião também para os portugueses reverem, numa das suas últimas ocasiões de notoriedade, o antigo sócio e presidente destituído do Sporting, que ia destruindo o clube e que agora arrisca uma pesada pena de prisão.

FIM DO SEXTA ÀS 9?

José Rodrigues dos Santos deu uma entrevista ao jornal 'I'. No final, falou-se do caso Sandra Felgueiras e 'Sexta às 9'. A pergunta era simples e inócua: "As pessoas na RTP falam disso?" A surpresa foi a resposta. A despropósito, e sem que o tema tivesse sequer sido abordado, Rodrigues do Santos dispara: "Terminar com o programa é impensável. É uma ideia que não tem pernas para andar e toda a gente tem consciência disso." Será que Rodrigues dos Santos já está a ver o filme todo e quis alertar-nos para algo ainda mais grave que aí vem?

A SELEÇÃO MERECIA MAIS 

Portugal tinha acabado de confirmar a presença no Europeu. Logo após o jogo no Luxemburgo, onde o resultado foi melhor que a exibição, como os entendidos gostam de dizer, a primeira reação do selecionador nacional, Fernando Santos, um campeão europeu, foi interrompida por este sinal de barras. A emissão da RTP não ligou mais ao selecionador, e seguiu sem qualquer explicação nem desculpa. Lamentável.

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