Todos os anos, a Volta à França dá aos amantes do ciclismo um dos melhores acompanhamentos da televisão portuguesa: os comentários de Marco Chagas, quatro vezes vencedor da Volta a Portugal, que junta ao conhecimento de quem correu a rara capacidade de o explicar a quem vê. Este ano houve história para contar. Tadej Pogacar entrou na galeria dos maiores ao vencer o Tour pela quinta vez, igualando Anquetil, Merckx, Hinault e Indurain. Dominou a corrida do princípio ao fim, e a emissão viveu disso. O problema é onde se viu. As maratonas de diretos da Volta são um produto televisivo de enorme valia, que geram horas de audiência fiel, ou seja, um público que não muda de canal. Ora, a RTP relegou-as para a Dois. Foi erro de palmatória. Ao deixar a prova na RTP-2, a estação do Estado abdicou de a usar onde valia dinheiro: no canal 1, onde a maré diária de ciclismo lhe teria dado tardes seguidas de eventual liderança e, muito provavelmente, a vitória no mês sobre a TVI. Preferiu a solução do costume, burocrática. É assim que a tradição, quando ninguém a questiona, se transforma em desperdício. No domingo, a Volta terminou em Paris, como manda o ritual, e os portugueses do costume lá estavam, fiéis ao espetáculo das ruas da Cidade-Luz e à voz entusiasta de Marco Chagas a comentar a última etapa. Faltou só que a RTP percebesse o que tinha em mãos.
Programação
A maior vantagem
A SIC tem ganho sempre, mas o mês de julho traz a maior vantagem do ano. Mais de 40 mil espectadores a cada minuto separam a líder da TVI, que fica mais perto de cair para terceiro lugar do que da vitória. Dias difíceis em Queluz de Baixo.
Informação
Ténis na CNN
A TVI é o media partner do Estoril Open. O desporto tem um público muito específico. Apesar disso, só a final merece transmissão em direto, na CNN, com o resto da prova relegado para reportagens ou para outros canais do universo TVI sem qualquer expressão. Foi domingo passado. Justifica-se a parceria para só transmitir a final?
A Subir
Mário Ramires
As notícias sobre a propriedade do Ministro Luís Neves deram ao Sol um justificado destaque. Há muito e bom jornalismo em Portugal.
A Subir
Felícia Cabrita
Autora da investigação sobre o MAI, as suas intervenções televisivas são plenas de autoridade e credibilidade.
A Descer
Fernando Alexandre
Enfrentou a dificuldade dos exames com várias intervenções televisivas, mas a tendência para responsabilizar outros intervenientes pelo erro dificultou a passagem da mensagem.