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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão Meu Amor

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SIC, Terra Brava

A nova novela da estação de Paço de Arcos marca a chegada definitiva à liderança da ficção nacional do canal, que, hoje em dia, ganha em todos horários e com uma margem crescente.
08 de novembro de 2019 às 12:30
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Mariana Monteiro
A SIC fecha o mês com uma pujança extraordinária, num patamar de audiências inimaginável até há bem pouco tempo. Outubro deu uma média diária de 20% ao canal 3, que logrou desta forma alargar o fosso que o separa da TVI. O canal de Queluz de Baixo ficou a mais de 6 pontos percentuais de diferença, e está restringido ao seu núcleo duro de espectadores, gente que tem saudades da estação que acompanhou ao longo da última década e meia, espectadores que continuam disponíveis para esperar que o canal se reorganize e volte a ser o que já foi.

Uma liderança tão sólida como a que a SIC regista neste momento só é possível quando se ganha a generalidade dos horários: a SIC está mais forte na informação, onde o principal adversário até é a RTP1; a SIC não dá hipóteses nas manhãs de Cristina Ferreira; a SIC está mais forte no entretenimento, lançando modelos e formatos de um estilo novo, de televisão de alto astral, que ganham sempre, por mais surpreendentes que sejam.

A SIC vence, finalmente, nos grandes formatos que lança ao fim de semana, como o Casados ou os Agricultores. Faltava apenas dar a volta à ficção, e isso, agora, também já aconteceu. Terra Brava transformou-se, aliás, em símbolo maior deste domínio absoluto no mercado, com todos os episódios bem acima do milhão e 200 mil espectadores, e sempre a rondar uns brilhantes 30% de share. Trata-se de um produto que marca o anunciado regresso de Virgílio Castelo às novelas, ele que andou, nos bastidores, a puxar pela estação no período em que nada resultava na SIC, muito menos nesta área das novelas. É, por isso, um sucesso bem merecido.


Entregues à sorte
Agora que está a chegar ao fim, cumpre dizer que a série de grandes reportagens, na SIC, assinada por Amélia Moura Ramos e Isabel Osório, sobre bebés açorianos adotados por famílias americanas, tem uma qualidade superlativa. Histórias extraordinárias, bem contadas, bem filmadas, com emoção. Muito bom!

Um aperto
A falta de água no Tejo é real, mas o ministro do Ambiente começou por negá-la. Para corrigir o tiro, Matos Fernandes foi à TVI. Pedro Pinto fez as perguntas certas, no tom apropriado, e apertou o governante. Os jornais da TVI perdem diariamente para a SIC, e ficam atrás da RTP1 muitas vezes, mas na segunda-feira houve uns minutos de bom jornalismo.

A grelha mentalista

A meio da semana, a TVI anuncia nova mudança de grelha para quarta-feira. Sai uma novela do horário nobre, entra o concurso Mental Samurai para o pós-jornal das 8, e só no fim passa, finalmente, a ficção. Nos momentos em que tudo corre mal, o melhor é não mexer, não fazer nada, dar tempo ao público: eis o segredo de gestão de crises televisivas que os atuais chefes da TVI desrespeitam, com dano para o canal. E o que levará alguém a pensar que um concurso que não funciona ao sábado vai funcionar no mesmo horário, à semana? Mistério.

Sair do ar
Depois de mais uma polémica em que os próprios responsáveis do canal se viram obrigados a criticar a sua profissional, é hora de alguém ter a responsabilidade de retirar a jornalista Joana Latino do ar no programa de má-língua e de atualidade social em que participa, o Passadeira Vermelha. A SIC não tem o direito de fazer com ela o que está a fazer. A polémica sobre a cocaína nos corredores é lamentável, e a culpa é da SIC.

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Diz José Gomes Ferreira: "Não me revejo nesta sociedade em que não há uma censura oficial, mas há uma autocensura promovida pela vigilância mútua das redes sociais. Ou dizes o que a mediana das pessoas dizem ou estás queimado. Não entro nesse jogo. Há mais censura hoje nas redes sociais do que nos anos 30 nos jornais em relação a investigação histórica."
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Vejamos: é preciso mais dinheiro, dizem. Para quê? Não é explicado. O serviço da RTP é tão bom que deve crescer? Falso. Olhando para o serviço público inexistente no canal 1, para as audiências residuais da RTP2, para a irrelevância da RTP3, fazendo o balanço de tudo isto, diria que a empresa até devia devolver dinheiro.
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