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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

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(In)segurança

Quem tem acompanhado as notícias sobre o arranque do governo de Trump, à frente dos Estados Unidos, já terá sentido surpresa, embaraço, perturbação conforme se começam a desenhar as estratégias para os próximos quatro anos
20 de fevereiro de 2025 às 16:14
Donald Trump
Donald Trump

Existem temáticas que pela sua densidade conceptual merecem tratados, tornando-se impossível liquidá-las num artigo de opinião. É o caso da Segurança que ciclicamente vive momentos de aceso debate para, depois, se esconder debaixo do tapete até que nova oportunidade surja para ser chamada à arena política.

Por não constar, por estes dias, na ementa noticiosa é que considerei oportuno apresentar esta reflexão. Terá menos ruído e permite fazer um exercício interessante com os nossos leitores. Quem tem acompanhado as notícias sobre o arranque do governo de Trump, à frente dos Estados Unidos, já terá sentido surpresa, embaraço, perturbação conforme se começam a desenhar as estratégias para os próximos quatro anos. Sobretudo na semana que findou quando através dos seus homens de mão, veio dizer à Europa que reconhece a Rússia, enquanto parceiro, afastando o velho continente de qualquer protagonismo no próximo mapa de influência no Mundo.

Percebeu-se, de imediato, nos painéis de comentadores dos canais de televisão a surpresa e a incredulidade perante tão radical divórcio. De repente, os europeus perceberam que estão encostados à parede e o dilema vai-nos colocar como súbditos de Trump. Ou produzimos as armas necessárias para a Ucrânia ou teremos de comprar armas aos Estados Unidos para entregar aos ucranianos.

A verdade é que explodiu um sentimento de insegurança na União Europeia ao perceber que as torneiras americanas estavam a fechar por um lado, aquele que protegia os nossos bolsos, e a abrir diretamente nos cofres do complexo político-militar que comanda os Estados Unidos. E assim, sem que tenha sido disparado um único tiro, os nossos sentimentos securitários começaram a desvanecer-se perante um futuro que se adivinha cheio de dificuldades. As chancelarias europeias multiplicam em contactos, em reuniões extraordinárias, em declarações mais ou menos estapafúrdias para acalmar os seus eleitorados. A isto chama-se insegurança, medo do futuro, medo daquilo que está para vir, medo dos nossos próprios aliados. É um sentimento justo? Não sabemos e o não saber é a base de qualquer juízo apocalíptico. l

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