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Notícia
Entrevista

Elisabete Reis: a portuguesa que veste as mulheres da alta sociedade do Qatar

A consultora de imagem mostra-nos as 'abayas' de luxo que vende e que muitas vezes são usadas pela mulher qatari para "esconder" a roupa acabada de sair das maiores passerelles internacionais.
Por Inês Neves | 04 de março de 2017 às 11:11
Elisabete Reis Flash
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Elisabete Reis, de 44 anos de idade, é filha de pais portugueses, mas nasceu em Moçambique. Aos 3 anos veio para Portugal onde viveu até aos 22 anos. Era hospedeira de bordo e um dia viu um anúncio no placard de tripulantes a pedir assistentes de bordo para a Air Macau. Não pensou duas vezes e fez as malas. Rapidamente chegou ao topo da carreira. Mas cansou-se. Largou tudo e foi atrás do seu sonho: trabalhar como consultora de imagem e coaching. E hoje é essa a sua profissão, no Qatar, onde vive há 10 anos.

Elisabete tornou-se numa mulher de negócios de sucesso. Criou a sua própria empresa, a ‘Glam Your Image’, e movimenta-se no mercado de luxo no Qatar, onde o nível de riqueza é bastante elevado e as mulheres vestem roupa acabada de sair das maiores passerelles internacionais, como Prada, Gucci, Channel ou Dior.

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"As abayas são o traje típico da mulher qatari. É uma veste tradicionalmente preta, que agora está a mudar de cor, que tapa do pescoço até ao calcanhar", explica a empresária e directora criativa da Debaj, marca de abayas de luxo.

Como é que passa de assistente de bordo a consultora de imagem?

Fui assistente de bordo durante muitos anos e fui tudo aquilo que podia ser na área. Não podia progredir mais e achei que, também, não era aquilo que queria fazer da minha vida. A carreira na aviação proporcionou-me fazer muita coisa na área da imagem, como vários cursos de make up, de closet… e percebi que era disso que eu gostava. Então, decidi deixar a aviação e começar a investir na área de consultoria de imagem. Depois tirei cursos em Singapura, em Los Angeles, em Nova Iorque para aprender e ter uma perspectiva de mercado global. A aviação e Macau foram passagens muito boas na minha vida. Aliás foi lá que conheci o meu marido e que nasceram 2 dos meus 3 filhos.

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Como é que foi parar ao Qatar e se tornou numa das maiores consultoras de moda lá?

Fui para o Qatar por causa do meu marido, que trabalha na área do futebol e teve uma oferta muito boa para fazer os jogos asiáticos. Nem pensámos duas vezes, fizemos as malas e fomos à aventura com 2 filhos. Inicialmente era para ser só durante um ano, mas adorámos o país e acabámos por ficar. E foi nessa transição, de Macau para o Qatar, que abri a minha empresa, a Glam Your Image.

E o que faz ao certo?

A minha empresa oferece um serviço completo. Comecei na área de styling e consultoria de imagem a nível pessoal e de empresas, mas rapidamente me virei também para a área de coaching, que me permite trabalhar com o cliente não só ao nível da imagem, como também o seu interior. Mais tarde formei-me em etiqueta e protocolo. As pessoas procuravam muitas vezes a minha ajuda, por exemplo, quando tinham jantares importantes, isto porque os árabes têm hábitos totalmente diferentes dos nossos, até na quantidade de talheres que põe na mesa. Percebi que era um nicho de mercado que poderia ser preenchido, então formei-me também nessa área. Se há alguém que queira tratar da sua imagem, melhor a autoconfiança e quiser uma "aulas" de etiqueta e protocolo, procura a minha empresa.

Mas como é que o trabalho de consultora de imagem funciona no Qatar, um país onde as mulheres andam tapadas dos pés à cabeça?

Só andam tapadas na rua. Na sua vida pessoal, são mulheres super glamorosas, muito vaidosas, que gostam de andar sempre arranjadas, e que adoram shopping, aliás ir às compras é o seu passatempo favorito. Debaixo das abayas, elas vestem tudo do bom e do melhor, usam roupas de luxo e estão sempre na moda. No fundo, são mulheres como nós que querem aprender a vestir-se. Elas podem não mostrar a roupa em público, na rua, mas exibem o que têm vestido dentro de casa ou numa festa privada como um casamento onde não há homens na festa.

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Não?

Os casamentos lá são separados. Os homens fazem a festa num lado e as mulheres noutro. Mas são magníficos. A decoração é de cortar a respiração e as roupas são autênticos desfiles de alta-costura. Vêm-se lá vários vestidos que acabaram de sair das passerelles dos maiores criadores de moda. É outra realidade.

Trabalha rodeada de luxo e com mulheres de riqueza abundante, portanto…

Na maioria, sim. A Debaj, onde sou directora criativa,é uma marca de abayas de luxo e as nossas clientes têm uma capacidade financeira considerável e o seu guarda-roupa é bastante variado.

Quanto custa uma abaya destas?

Tenho abayas de 500 a 4 mil euros. São feitas à mão, os bordados são muito detalhados e também feitos à mão, os tecidos são escolhidos e comprados em sítios muito específicos e as colecções são preparadas ao pormenor. Chegámos há pouco de Nova Iorque onde fomos fazer o lançamento da última colecção, por exemplo.

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Fotos: Paulo Miguel Martins

Produção: Nuno Tiago

Maquilhagem: Sandra Almeida

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Agradecimentos: Hotel Mundial, Lisboa

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