_

- Lei Transparencia - Ficha técnica - Estatuto editorial - Código de Conduta - Contactos - Publicidade
Notícia
The Mag - Especial Presidenciais

A nódoa no fim da campanha na segunda-feira negra de Cotrim de Figueiredo a 'apagar fogos' entre Ventura e as acusações de assédio por antiga assessora

Se o dia começou mal para João Cotrim de Figueiredo por causa das declarações sobre o apoio a André Ventura, só tenderia a piorar com as duras palavras de uma antiga assessora, que não poupou nos detalhes para descrever o alegado assédio do político. "Nunca vou esquecer as várias vezes em que bloqueei quando me disse: 'Excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo'". O candidato foi rápido a reagir, mas a nódoa incrustava-se rapidamente numa campanha que, até aqui, parecia imaculada. Contas feitas, como fica a popularidade do político depois do dia de todas as polémicas?
Por Rute Lourenço | 12 de janeiro de 2026 às 21:08
Cotrim de Figueiredo reage a polémica com antiga assessora Foto: Flash

Se se desenhasse uma curva a exemplificar aquilo que foi a campanha eleitoral de João Cotrim de Figueiredo, este seria, provavelmente, o dia em que a linha caía a pique, desgovernada. Naquele que ficará certamente na memória do candidato como um dia para esquecer, aconteceu-lhe de tudo um pouco, numa nódoa a manchar meses de trabalho, de Tik Toks, de vídeos com famosos que se traduziu numa subida de popularidade, que poderá agora estar comprometida.

pub

Na última semana antes das eleições, Cotrim de Figueiredo já não tem muito tempo para limpar aquilo que esta segunda-feira negra lhe trouxe. E o dia começou com títulos que em nada geravam consenso: o candidato não colocava de parte a hipótese de apoiar André Ventura caso passasse à segunda volta. "Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda", disse em declarações aos jornalistas ao lado de Liliana Reis e Rodrigo Saraiva. Para que não restassem dúvidas, foi questionado se isso incluía André Ventura, algo que o político confirmou. 

André Ventura e Cotrim Figueiredo debatem sobre presidenciais Foto: Flash

As declarações caíram como uma 'bomba' não só pelo peso concreto das palavras como também porque contradiziam as certezas dadas pelo próprio Cotrim, que afirmava não apoiar Ventura no caso de um duelo final

pub

A confusão estava instalada e a polémica cresceu de tom, mas Cotrim de Figueiredo não perdeu tempo e se houve coisa que mostrou dominar nesta campanha foram as ferramentas nas redes sociais: rapidamente, colocou a circular um vídeo em que tentaria esclarecer o assunto. "Eu disse que votaria em André Ventura? Não, não disse. Fui pouco claro, assumo que sim. Fui pouco claro, assumo que sim, talvez por querer sempre responder às perguntas todas dos jornalistas. O que eu disse é que não me comprometia com o apoio a nenhum candidato na segunda volta [das presidenciais]", começou por dizer. 

pub

"Óbvio que eu não quero André Ventura como Presidente da República! Eu acredito que quem vai à segunda volta somos nós. É a nossa campanha otimista que representa a esperança num futuro melhor para a democracia portuguesa. Seguimos juntos, rumo às segunda volta", acrescentou.

No entanto, o inferno estava apenas a começar para o político, de 64 anos, que horas mais tarde seria denunciado por assédio sexual e práticas condenáveis no trabalho por parte de Inês Bichão, antiga assessora parlamentar e atual funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros, através de uma publicação nas redes sociais, entretanto apagada. "Nunca vou esquecer as várias vezes em que bloqueei quando me disse 'Excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo', 'De que tipo de homens gostas?', 'Mais grossa ou mais comprida?'", escreveu, acrescentando: "Não vou esquecer o que acontece às pessoas que não fazem o que ele quer ou que pensam diferente de si. E dos telefonemas que faz logo a seguir para minar propostas de trabalho."

pub

"Que me acuse daquilo que quiser, se tiver ponta por onde pegar. Calada estive eu e assim vou continuar, porque não merece que a minha vida seja prejudicada por aquilo que ele fez. Não suporto a ideia de o ver em Belém, com o Octávio, com o Bernardo e com o Ricardo (figuras da Iniciativa Liberal)."

João Cotrim de Figueiredo, candidato à Presidência da República, recorda passagem pela TVI Flash
João Cotrim de Figueiredo Flash
Cotrim de Figueiredo: percurso na TVI, relação com Cristina Ferreira e candidatura à Presidência Flash
João Cotrim de Figueiredo com a cadela Bala Foto: instagram @jcf_liberal
João Cotrim Figueiredo Flash

Horas depois, Cotrim reagiria novamente para negar tudo, acrescentando que isto está a acontecer pelo seu crescimento nas sondagens. "Tive conhecimento dessa denúncia e é absolutamente e completamente falso o que essa senhora pôs a circular. Vai ser obviamente objeto de processo por difamação. Porque há política, há política suja e depois há isto. É absolutamente inadmissível. Não percebo como é que em Portugal ainda há gente que acha que consegue fazer política desta maneira."

pub

Apesar dos desmentidos, é impossível dissipar a sensação de mancha na reta final para alguém que foi crescendo, com o apoio de muitas caras conhecidas – Cristina Ferreira é uma das suas amigas famosas – mas também os avisos de alguns inimigos ilustres como Manuela Moura Guedes, que o acusou de ter sido um "pau mandado" da Prisa e ter contribuído para o seu afastamento da TVI. "Uma pena é o Dr. Cotrim ter sido um pau mandado dos espanhóis, os donos na altura da Media Capital, e ter mandado a liberdade de imprensa para as urtigas. Foi ele, no meio de ameaças de processos, que me obrigou a rescindir contrato com a TVI, numa altura muito difícil da minha vida profissional (...) Não, este senhor não me inspira confiança para Presidente da República", afirmou a jornalista sobre o candidato.

pub

HOMEM DOS SETE OFÍCIOS

Em 2019, quando se lançou como candidato à Assembleia da República como cabeça de lista pela Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo causou alguma surpresa. "Eu sei, é uma surpresa até para mim. Mas aceitei porque já não consigo ficar sentado enquanto o País marca passo e não dá à geração dos meus filhos metade das oportunidades que a minha teve”, disse na altura para justificar o porquê de ter mergulhado a fundo, de repente, no universo político. No entanto, haveria de ser uma decisão sólida, que o leva agora a assumir-se como candidato à Presidência da República. 

João Cotrim Figueiredo Flash
João Cotrim de Figueiredo, candidato à Presidência da República, recorda passagem pela TVI Flash
João Cotrim de Figueiredo Flash
João Cotrim Figueiredo Flash
João Cotrim Figueiredo Flash
João Cotrim Figueiredo Flash
pub

"Não encontram ninguém mais independente do que eu. Se alguém se aproximasse de mim vindo da maçonaria e me quisesse apoiar, eu recusava esse apoio, porque não considero que uma organização discreta numa democracia deva ter a influência que a maçonaria tem nalgumas organizações políticas”, disse, em entrevista à RTP, confiante que estará numa segunda volta, o homem que já fez de tudo um pouco e não tem medo de recomeçar.

Nascido em Lisboa e aluno da Escola Alemã, estudaria mais tarde Economia em Inglaterra, onde manteve, em paralelo, vários trabalhos, que não seriam, no entanto, os primeiros, até porque a estreia aconteceu bem cedo, quando andou a vender porta a porta os cabides da empresa Manequim, fundada pelo seu bisavô. "A venda é das coisas mais nobres que existem; significa pormo-nos nos pés e na cabeça do outro para lhe passar algo relevante. Não é enganá-lo, é tornar a sua vida melhor", disse, sobre esses tempos.

pub
João Cotrim de Figueiredo discursa na Assembleia da República Flash
João Cotrim de Figueiredo Flash
João Cotrim Figueiredo Flash

Já formado, passaria pela administração da Compal e da Nutricafés, Privado Holding, Presidente do Turismo – foi o responsável por trazer a Web Summit para Portugal – até que, a chegar aos 50 e à procura de emprego, acabaria por aceitar um desafio inusitado que marcaria o seu percurso: liderar a TVI.

Os tempos eram complicados. Em setembro de 2009, por alegada pressão da Prisa, a administração da TVI em Portugal decide "suspender" o 'Jornal de Sexta', então conduzido por Manuela Moura Guedes, depois de o espaço noticioso ter exposto vários casos polémicos relacionados com o Partido Socialista e do então primeiro-ministro, José Sócrates. Na sequência da decisão, o então diretor José Eduardo Moniz apresentaria a demissão, alegando "divergências com a Prisa". Cotrim foi o senhor que se seguiu, o que lhe valeu alguns comentários menos simpáticos por parte de Moura Guedes. 

pub
Flash
Flash
Flash
Flash
Flash
Flash
Flash
Flash
Flash
Flash
João Cotrim Figueiredo fala sobre o divórcio e o impacto da TVI no casamento Flash

Já de Cristina, granjearia os melhores elogios. "Foram anos muito bons", disse Cristina Ferreira da última vez que o entrevistou. "Deixa-me dizer-te publicamente que és o diretor do coração. E isto não é desmerecer o trabalho de nenhum outro. E isto por uma coisa: se hoje fores perguntar, nos corredores da TVI, qual foi o diretor que conhecia os nomes até de um empregado de limpeza, não há ninguém que não diga que não és tu. E isso não é para todos. Costumo dizer que eras bom de mais para a televisão."

pub

Há muito longe da TV, Cotrim não esqueceu as armas chave da comunicação tendo apostado forte neste aspeto numa campanha quase imaculada até agora...

Saber mais sobre

pub
pub
pub
pub

C-Studio

pub