A outra face de Clara de Sousa, que construiu um império longe dos ecrãs sem nunca esquecer as origens mais humildes
Aos 58 anos, a pivô da SIC soma milhares de seguidores, conquistados não só pelo seu trabalho, mas também pela vida que partilha fora dos ecrãs. É nas redes sociais que revela o seu lado mais autêntico e as paixões que cultiva para lá do jornalismo. Num verdadeiro "império paralelo", Clara de Sousa cozinha, dedica-se à bricolagem e mostra a sua faceta mais descontraída, estreitando laços com quem a admira.Clara de Sousa é um dos símbolos da informação em Portugal. Amplamente reconhecida pelo rigor e profissionalismo, é uma das principais pivôs do nosso País e soma uma legião de fãs, que acompanham tanto o seu trabalho que leva a cabo na SIC como aquilo que faz fora da estação. É que o percurso de Clara não se esgota no jornalismo. As paixões pessoais da profissional deram origem a projetos fora do pequeno ecrã, que leva a cabo com igual sucesso, nomeadamente o canal de Youtube 'Clara de Sousa - Cozinha e Bricolage', onde conta já com mais de 130 mil seguidores.
"Em 2011 dei a conhecer esta minha faceta mais pessoal quando lancei o meu primeiro livro de cozinha. Muitos ficaram surpreendidos, mas para mim foi um processo natural. Desde cedo que cozinho, muito cedo até. Tinha apenas 9 anos quando a minha mãe me deu a tarefa de, diariamente, preparar o jantar, e desde então, a cozinha é um dos locais onde me sinto mais feliz a preparar as refeições para as pessoas que são importantes para mim", fez saber.
No canal de Youtube, as notícias ficam, por isso, de lado, bem como os grandes temas que estão na ordem do dia, uma vez que aquilo que é retratado são dois hobbies que Clara leva a cabo de forma cada vez mais séria: o jeito para a bricolage e o talento para a cozinha, que já a levou a publicar livros e que faz com que as suas receitas, rápidas e práticas, sejam seguidas por muitos. Na verdade, tudo é feito de uma forma muito simples, o que é quase uma assinatura de Clara que, apesar do mediatismo, nunca se perdeu. A humildade é uma das características da jornalista que, talvez por ter crescido longe de uma casa em que houvesse abundância, dê tanto valor àquilo que conquistou.
Foi a própria jornalista que partilhou, em entrevista ao 'Expresso', a sua história de vida, marcada por dificuldades que a família sempre soube contornar com esforço e resiliência. "Nunca as escondi [as origens humildes]. Quem se nega, desonra-se, e desonra todos os que estiveram antes e que permitiram que estivesse aqui", disse Clara, acrescentando que o passado lhe deu uma forte consciência da forma como lida com o dinheiro. "Tendo a ser uma pessoa poupada. Nunca conseguiria viver tranquilamente, com a minha alegria natural, a minha despreocupação natural, se estivesse sempre com a corda na garganta ou a viver acima das minhas possibilidades. Os meus pais conseguiram sempre mais com menos. A minha mãe dizia que o dinheiro não é de quem o ganha, é de quem o poupa."
Uma máxima que lhe ficou, ainda que a sua realidade seja bem diferente da casa em que cresceu e onde aprendeu muitos dos valores que faz questão de preservar. "Com a ajuda dos vizinhos, enchendo placas de cimento, erguendo telhados, construíram uma casa. Uma das coisas que me marcaram foi a de que em minha casa nunca havia fiambre, nem da perna nem da pá, nem queijo Flamengo. Só comia essas coisas em casa da minha madrinha, onde a minha mãe começou a trabalhar aos 18 anos. A minha mãe veio com 11 anos para Lisboa para ser criada, porque era isso que acontecia: as jovens vinham do campo para serem criadas na cidade. Se me perguntarem se faltou alguma coisa de essencial, direi que não. Nem me achava pobre. Era de uma enorme riqueza e de uma liberdade imensa! Tinha a possibilidade de criar e de ocupar o tempo como queria. Se estava a chover, ficava dentro de casa e entretinha-me com jogos de tabuleiro, na rua jogava ao pião, ao berlinde. Adaptava-me às circunstâncias", explicou Clara, que já perdeu ambos os progenitores.
AMADA PELOS PORTUGUESES
Talvez seja a dualidade entre a Clara impenetrável que aparece nos ecrãs e a mulher simples e afável que se mostra nas redes sociais que conquiste tanto os portugueses, mas a verdade é que a jornalista se tornou num dos rostos mais acarinhados, sendo um fenómeno nas redes sociais, só comparado, no jornalismo, com Rodrigo Guedes de Carvalho. No Instagram, a pivô tem mais de 200 mil seguidores e é frequente fazer algumas partilhas mais pessoais, sem nunca abrir completamente a porta de casa.
Isto para dizer que os dois filhos e o relacionamento amoroso que mantém com o também jornalista Fernando Esteves são preservados, com Clara a abrir poucas exceções nesse campo. Ainda assim, no Instagram acaba por divulgar alguns momentos de férias, com os cães ou partilhas em que revela a sua essência, em que conquista pela simplicidade.