_

- Lei Transparencia - Ficha técnica - Estatuto editorial - Código de Conduta - Contactos - Publicidade
Notícia
The Mag - The Daily Magazine by FLASH!

Temos uma estrela no céu! A força invisível que vai guiar Portugal esta noite com Diogo Jota no pensamento, um ano depois da tragédia ter roubado o mundo a Rute Cardoso

Um ano depois do trágico acidente que ceifou a vida ao craque português, jogo dos 16 avos de final ganha significado de homenagem. Colegas e amigos vão dar tudo no jogo 'mata-mata' do Mundial 2026 para honrar a memória do jogador que partiu cedo demais.
Por João Bénard Garcia | 02 de julho de 2026 às 21:45
Rute Cardoso e Diogo Jota celebram 7 anos de amor, desde a escola até viagens pelo mundo. Foto: Flash

Quando esta noite a Seleção Nacional entrar em campo às 23:45 para defrontar a Croácia nos 16 avos de final do Mundial 2016, muitos dos jogadores vão querer dar o seu melhor para homenagear o colega Diogo Jota, e o seu irmão, André, que pela meia noite e meia deste dia, há precisamente um ano, morreram de forma trágica num acidente de viação em Espanha. "Um acidente de carro aconteceu às 00h30 desta madrugada ao quilómetro 65 da A-52, no município de Cernadilla, em Zamora (a apenas 30 Km da fronteira de Portugal). Um veículo saiu da estrada, o que indica que um dos pneus rebentou durante uma ultrapassagem. Como resultado do acidente, o carro ficou em chamas e ambos os ocupantes morreram". Foi assim, de forma lacónica, telegráfica mesmo, que a Guarda Civil espanhola comunicava a morte dos dois futebolistas.

Como os corpos ficaram carbonizados na sequência da combustão da viatura, ninguém sabia que ali estavam os cadáveres do internacional do Liverpool de 28 anos de idade que envergava a camisola 20, uma das figuras mais acarinhadas no clube inglês, onde estava desde 2020, e do seu irmão, André, de 25 anos, também futebolista profissional a jogar pelo Penafiel, na Segunda Liga portuguesa. A viagem de regresso a Liverpool teve de ser feita de automóvel por motivos de saúde do avançado, que em quatro anos no clube jogou 182 partidas, marcou 65 golos e fez 22 assistências e era louvado em cânticos pelos Kopites, os adeptos mais fervorosos da equipa britânica com mais títulos no seu palmarés.

pub

As imagens, captadas por automobilistas que passaram pelo local na A-52 não deixam margem para dúvidas face à violência do acidente. O Lamborghini estava numa cova do separador central com mato e tinha ficado reduzido a destroços espalhados e calcinados. Os corpos estavam irreconhecíveis a uma primeira vista. Rapidamente, vários alertas foram recebidos pelo 112, por parte de condutores, maioritariamente camionistas, que circulavam na autoestrada, bastante movimentada à noite. Foi por isso que a Guardia Civil e uma corporação de bombeiros chegaram rapidamente ao local. Tentaram ainda travar as chamas, alastradas já às ervas altas do separador. Demoraram algum tempo a perceber onde estavam os corpos...

A CONTAGEM DECRESCENTE PARA A TRAGÉDIA INESPERADA

pub

Voltemos um pouco atrás para perceber este desfecho. Diogo Jota tinha sofrido uma lesão pulmonar que o obrigou, durante a paragem de verão da Liga Inglesa, a ser submetido a uma pequena cirurgia. Devido a esse pormenor de saúde, foi altamente desaconselhado pelos médicos a viajar de avião, sendo que o objetivo seria o de apanhar o ferryboat em Santander para a segunda metade da viagem, que demoraria mais de 20 horas por mar. Antes de subir a bordo, ia ainda fazer uma paragem na cidade espanhola de Burgos, onde passaria a noite com o irmão. No livro 'Diogo Jota – Nunca mais é muito tempo’, o jornalista desportivo José Manuel Delgado questionou a razão porque a viagem se fez num Lamborghini, modelo Huracan, e não num outro carro menos potente. Obteve a resposta para o enigma da boca de um colega da Seleção Nacional.

José Manuel Delgado escreveu na biografia de Diogo Jota, e que é também um pouco a obra que recorda André, que foi Rúben Neves, o médio de 29 anos do Al-Hilal, quem lhe sugeriu os veículos para fazer as viagens a Portugal e a do regresso a Inglaterra. No programa 'Júlia', na SIC, o autor revelou tudo. "As pessoas não sabem uma coisa, que foi o Rúben Neves que me contou", começou por avançar, concluindo: "O Diogo não ligava a joias, nem a grandes carros. Ele veio de Ferrari [para Portugal] e foi de Lamborghini, e só o Ruben Neves é que me disse o motivo. Ele queria fazer algo de especial que marcasse o casamento. Quando veio para cá, ele perguntou ao Rúben o que devia fazer". Ninguém está à espera que um pneu possa rebentar, muito menos o de um carro de alta cilindrada a grande velocidade. "O Rúben disse-lhe que o Ferrari era mais icónico. E ele fez a viagem para cá [de Ferrari]. Depois, na viagem de regresso, era suposto ir com um amigo até Santander [Espanha]. Mas como quis proporcionar ao irmão uma experiência de viagem diferente, acabou por alugar o Lamborghini para ir", revelou o autor.

pub

DESPEDIDAS ALEGRES, BRINDES À VIDA E FELICIDADE

Semanas antes de terminar as férias mais especiais da sua vida, Diogo Jota viveu a euforia de levantar por Portugal, a 8 de junho, a taça da Liga das Nações, ao derrotar a Espanha nas penalidades na Allianz Arena, em Munique, na Alemanha. Catorze dias depois, a 22 de junho, Diogo Jota casa-se com a sua companheira de longa data, Rute Cardoso. A cerimónia religiosa ocorreu na Igreja de Nossa Senhora da Lapa, no Porto, e a festa nas Obras do Fidalgo, também conhecidas como a casa inacabada de Vila Boa de Quires, em Marco de Canaveses, oficializando assim o casal uma união de 15 anos de namoro, o grande amor que começou no liceu, e que resultou em três filhos em comum.

pub

No último fim de semana antes da tragédia, o casal esteve divertido e feliz no casamento de José Sá, seu grande amigo e guarda redes com quem partilhou o balneário do FC Porto, com Raquel Jacob, sem que alguém pudesse imaginar que aquele dia de festa seria a despedida da vida de Diogo. No dia 1 de julho, terça-feira, na contagem decrescente para a viagem fatal, Diogo almoçou num restaurante de Leça da Palmeira com a mulher Rute e os filhos Dinis, o mais velho, que agora tem 5 anos, Duarte, de 3 anos e Mafalda, a filha mais nova, que tem hoje um ano e meio, mas que na altura tinha apenas sete meses. Na noite antes da partida, Diogo e André jantaram na casa da irmã de Rute Cardoso. No final do repasto, os dois irmãos entraram no Lamborghini e arrancaram do Porto rumo a Burgos, onde ainda nessa madrugada iam pernoitar.

DESTROÇADOS, PAI VIU OS CORPOS CARBONIZADOS DOS FILHOS

Preocupada com a viagem noturna, num carro potente que não conheciam bem, Rute foi tentando entrar em contacto por telefone com o marido e o cunhado. Tudo se complicou quando os telefones ficaram em silêncio absoluto. Rute já não dormiu nessa noite. Conta na biografia do marido que tinha a aplicação de passos ligada e que mais tarde se apercebeu ter andado no jardim da casa da irmã mais de 11 Km em pânico a ligar para todo o lado. As duas horas seguintes ao silêncio dis foram de chamadas telefónicas para hospitais e polícia. Ambas sabiam que algo de errado tinha acontecido.

pub
Rute Cardoso e Diogo Jota, Liverpool Foto: D.R.

As horas seguintes transformaram-se num pesadelo. Quando Rute perceber que as mensagens deixaram de ser entregues, tentou ainda falar com André, mas nada. Ligou a Paula, a namorada de André, que também nada sabia do homem com quem tencionava casar em breve. É então que Vítor, tio de Rute, camionista profissional batido em viagens por Espanha conseguiu estabelecer contacto com as autoridades espanholas. Rapidamente o pior se confirmou: Os irmãos tinham morrido. "Comecei a aperceber-me de que podia ser verdade, embora quisesse acreditar que isso era impossível. Tenho marcados 11 Km no relógio feitos naquela noite só a andar no pátio da casa da minha irmã", relatou, na única entrevista que deu para o livro ao jornalista José Manuel Delgado, o biógrafo do malogrado marido.

AS HORAS DE INFERNO DA FAMÍLIA EM ESPANHA

pub

João Camacho, um dos colaboradores da Gestifute, empresa de agenciamento de jogadores de Jorge Mendes, que trabalhava com Diogo Jota há 12 anos, é também vizinho de Isabel e Joaquim, pais de Diogo e André e prontificou-se a acompanhá-los até Espanha para o reconhecimento dos corpos. Seguiram todos diretamente para a funerária, onde estavam as carrinhas com os corpos dos filhos. Um agente da guardiã civil aconselhou-os a não verem os cadáveres, mas Joaquim quis olhar uma última vez para os seus filhos, desfigurados e carbonizados. Chorou como nunca. "Foi o momento mais horrível da minha vida", assume na biografia de Diogo.

Rute Cardoso quis também ir ao local onde tinha ocorrido o acidente porque queria encontrar o terço que lhe tinha comprado dias antes numa visita ao Santuário de Fátima, onde tinha cumprido uma promessa a Nossa Senhora. No local da tragédia, as autoridades impediram-na de se aproximar, receando que guardasse na memória aquela imagem devastadora. Ainda assim, o chefe da polícia prometeu-lhe que procurariam o terço. Encontraram um terço, mas era o de André.

pub
Funeral de Diogo Jota comove família e colegas Foto: Flash

De acordo com o jornal 'La Opinion: El Correo de Zamora', a viúva, Rute Cardoso, e os pais dos dois irmãos, Isabel e Joaquim, estiveram em Espanha, no Instituto de Medicina Legal, para fazer o reconhecimento dos corpos, sendo que necessitaram de receber apoio psicológico no local. Os corpos de Diogo Jota e André Silva seguiram, de seguida, para Portugal. As cerimónias fúnebres dos dois irmãos acontecem no sábado, dia 5 de julho, em Gondomar, a terra natal de ambos, e contaram com a presença do então Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro Luís Montenegro, de muitos jogadores da Seleção Nacional e de todos os colegas de Diogo Jota no Liverpool.

Saber mais sobre

pub
pub
pub
pub

C-Studio

pub