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THE MAG - The weekly magazine by Flash!

A história incrível da maior youtuber portuguesa. Sea3P0: do massacre do bullying ao sucesso

É a maior youtuber feminina em Portugal e o seu segredo passa por acreditar em si e nunca deixar de ser ela própria. A vida ensinou-lhe isso da pior forma: o bullying fê-la ir ao seu lado mais obscuro e tornar-se, em parte, a mulher de sucesso que é hoje. Esta é a história de Catarina Lowndes contada na primeira pessoa na THE MAG desta semana.
Carolina Pinto Ferreira
Carolina Pinto Ferreira
25 de novembro de 2021 às 23:52
A reinvenção da miúda do cabelo azul... que hoje é uma mulher poderosa
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Olhou para a primeira foto e não a reconheceu? Olhe mais uma vez. Talvez se tivesse com o cabelo pintado de azul descobrisse à primeira quem é a youtuber de sucesso que a The Mag lhe traz esta semana. Já lá chegou? Exato! É a Sea3P0, a maior youtuber feminina em Portugal que, através do seu canal já conquistou mais 1 milhão de seguidores. Mas, afinal quem é esta mulher que se tornou um ídolo para várias crianças e jovens? 

A transformação de Sea3P0: desde a menina de cabelo azul até hoje
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No Instagram é seguida por mais de 370 mil pessoas mas garante que não quer ser uma referência para ninguém. Quer apenas uma coisa na vida: ter a liberdade para ser ela própria. Na sua vida 'offline' chama-se Catarina Lowndes, tem 31 anos de idade, e uma história para contar. Já fez um álbum (e está a caminho do segundo!) e tem dois livros editados, um deles sobre o bullying, um dos maiores fantasmas da sua vida. Mas já lá vamos... 

Afinal como começou este sucesso? Mais do que uma 'influencer', considera-se uma criadora de conteúdos que tem um principal objetivo: ser ela própria. Com erros, falhas e deixando as perfeições à parte. Mais segura do que nunca, diz que agora se ama. Mas, à FLASH! abre o coração e revela o passado traumático que deixou marcas que ainda hoje são tratadas com a terapeuta (de quem tanto se orgulha). Esta é a Sea3P0, sem filtros e na primeira pessoa. 


DE ANTROPOLOGIA PARA O YOUTUBE

Até hoje Sea3p0 acha que "caiu neste mundo". Começou o seu canal de Youtube "por causa de uma tese que estava a escrever para Antropologia Cultural". "Em 2011 fiz o meu canal e nem cheguei a 100 seguidores e 20 visualizações. Gostei do sucesso mas parei", explica. Só com 23 anos é que Catarina começou a levar a sua atual profissão mais a sério. "
Tive a oportunidade de entrevistar youtubers e nessa altura pensei: ‘Eu consigo fazer isto’. Nesse mesmo dia, estava exausta, mas cheguei a casa e gravei o meu primeiro vídeo sobre gamming. Acho que é um dos vídeos mais engraçados que tenho até hoje."

"Toda a gente merece ser feliz e ter possibilidade de ser feliz"

A mensagem que quer transmitir continua a ser a mesma desde o primeiro dia. "Em qualquer coisa que faça sigo-me pela necessidade das outras pessoas terem uma motivação para conquistar os seus sonhos. É algo que é bastante importante para mim porque eu sou uma sortuda. Nasci num país incrível, não temos guerras. Nasci com os meus pais ao lado, nunca me faltou nada. Sempre tive amor, comida na mesa e sempre tive pessoas que acreditaram em mim e foi um choque quando percebi que não é sempre assim. Desde criança que tenho este sentido de justiça. Sinto que toda a gente devia ter esta possibilidade, esta motivação. Toda a gente merece ser feliz e ter a possibilidade de ser feliz. É o meu único foco."

Esta sempre foi a crença de quem nunca sonhou que passaria por um dos maiores pesadelos da sua vida durante a adolescência. 

De vítima de descriminação e "dona disto tudo": como Sea3P0 se superou e cresceu
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O TRAUMA DO BULLYING

Pode ser estranho olhar atualmente para Catarina e para a quantidade de fãs que tem e imaginar que, há pouco mais de uma década, foi vítima ddo preconceito e de maus-tratos por parte de colegas. "Tive numa escola internacional, daí o meu sotaque ser um bocadinho exótico e ter mais facilidade em falar inglês do que português. Acrescentando o facto de ter estudado nos Estados Unidos. Nesse ambiente não havia popularidades. Éramos todos tão diferentes, de países e culturas diferentes e gostávamos tanto uns dos outros...", começa por contar, relembrando o pesadelo que ainda estava por vir. 

"Mudei de escola do 10 ao 12º ano. Fui para uma escola portuguesa, privada, onde era julgada por tudo. Principalmente porque o meu português não estava no seu melhor. Para as pessoas da minha escola era incompreensível como é que uma portuguesa, que vive em Portugal, não sabia falar bem português.Tornei-me um alvo durante toda a minha estadia na escola."

Três anos traumatizantes que se apagaram da sua memória. "Foi mesmo muito difícil. Não me lembro desses três anos de tão complicada que a situação foi, mas não me afetou ao ponto de eu criar algum tipo de ressentimento para com as pessoas. Sempre mantive esta compaixão que tenho."

"As pessoas não passam por situações de bullying só em casa: passam no trabalho, na escola, em todo o lado. A coisa mais importante é falar com alguém. O bullying faz com que as pessoas se sintam isoladas e isso leva a coisas mais graves como uma depressão."

Até hoje, Catarina é acompanhada por uma terapeuta, que não dispensa. "Ando numa terapia. Adoro a minha terapeuta e acho que toda a gente devia ser acompanhada. É importante perceber que o bullying não tem a ver com a vitima mas sim com a projeção que as pessoas fazem da vítima. As suas próprias inseguranças. Uma pessoa bem resolvida não faz bullying."

Sem tabus, dá a cara por esta causa e deixa uma mensagem: "O conselho que dou é que as pessoas comuniquem. As pessoas não passam por situações de bullying só em casa: passam no trabalho, na escola, em todo o lado. A coisa mais importante é falar com alguém. O bullying faz com que as pessoas se sintam isoladas e isso leva a coisas mais graves como uma depressão. Os professores têm que estar mais ativos na proteção das crianças. Todos juntos temos que garantir que vivemos num ambiente seguro, mas isto só vai acontecer quando tivermos mais amor e compaixão pelos outros."

Senhoras e senhores, apresentando a nova Sea3P0, princesa do Youtube em Portugal
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O LADO OBSCURO DAS INFLUENCERS: "É MUITO DIFÍCIL TENTAR SER PERFEITA SEMPRE"

Sea3P0 tem uma permissa: não mostrar uma pessoa que não é. E é por essa aceitação que lida diariamente. Renega o título de influencer exatamente pelo peso que o termo carrega. "Não quero ser uma inspiração. Sou igual a todas as outras pessoas. Não me considero particularmente diferente. Acredito vivamente que consigo conquistar as coisas e quero que as pessoas acreditem no mesmo que eu, que tenham a capacidade de olhar para a sua vida e acreditarem nelas próprias. Acho que isso tornaria o mundo muito mais bonito."

"Não quero ser uma inspiração. Sou igual a todas as outras pessoas"

Grata pelo sucesso que conquistou e que torna possível que faça de criação de conteúdos da sua vida, Catarina tem a plena noção de que ser um ícone no digital é consideram um "trabalho de sonho" para muitos. Contudo, deixa claro que nem tudo é um "mar de rosas", principalmente quando se fala em influencers de moda ou lifestyle. Sea3P0 desvenda os "bastidores negros da fama".

"É muito difícil tentar ser perfeita sempre. Ter que ser perfeita 24 horas, continuar a ser relevante e para isso ter que se ser uma versão muito longínqua daquilo que realmente se é. É como ser uma personagem durante anos. As pessoas perdem-se. Vejo muitas amigas minhas sentirem-se presas porque já foram essa pessoa durante tanto tempo que não sabem ser outra coisa. Não é só tirar fotografias: planear looks para o Instagram, organizar com marcas para enviar coisas que muitas vezes não enviam e quando o fazem, querem os conteúdos em cima do joelho. Tem que se somar isso tudo à vida pessoal que, ao mesmo tempo, está a ser gravada, portanto nem sequer é pessoal. Criar conteúdos em geral é difícil. Ser influencer com a pressão constante e as expectativas que as pessoas têm delas, é exaustivo."

"É muito difícil tentar ser perfeita sempre. Ter que ser perfeita 24 horas, continuar a ser relevante e para isso ter que se ser uma versão muito longínqua daquilo que realmente se é. É como ser uma personagem durante anos"

A pressão constante fizeram com que Catarina chegasse mesmo a sofrer de um burnout. "Gostaria que as pessoas que dizem que é fácil experienciassem isso durante um mês. É uma pressão psicológica gigante, desgastante e chega a ser traumático. Conheço várias pessoas que, tal como eu, tiveram um burnout horrível. Tu associas o teu valor inerente a um numero que nem sequer está sob o nosso controlo: depende do algoritmo, da plataforma, do dia, de como os planetas estão alinhados... não temos trabalho se não formos relevantes, se não tivermos x números, se não conseguirmos ter impressões, se não conseguirmos vender... É sentir que podemos perder o nosso trabalho a qualquer momento. É extremamente doloroso e é difícil as pessoas perceberem isso.

Para terminar, lança um desafio: "Quero que as pessoas vão à procura do desconforto. É impressionante como a decisão de fazer algo completamente diferente pode mudar a nossa vida e levar-nos a lugares que nunca vimos."

 

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