Aos 87 anos, a rainha Sofia tem sabido aguentar os embates da vida. Durante muito tempo, lidou com o casamento de fachada com Juan Carlos, enfrentou em silêncio os constantes rumores de infidelidade e os olhares e apontar de dedo de quem a condenava pela vida de aparências, mesmo que dentro do Palácio tudo estivesse a ruir. Nesses momentos, muitas vezes de dor e desespero, a monarca, diz-se, chorava ao lado da sua grande confidente de toda a vida: a irmã, Irene da Grécia. Eram inseparáveis, partilhavam tudo uma com a outra, e com a morte desta, aos 83 anos, fica um vazio que tem sido difícil de contornar.
Apesar de a rainha emérita já ter regressado à vida pública, com os compromissos oficiais a sucederem-se e a ocuparem, também, a sua cabeça, a verdade é que os mais próximos estão preocupados com a tristeza de Sofia, que não cessa, e pelo facto de a rainha estar mergulhada numa depressão, que todos temem que tenha um impacto profundo na sua saúde. "Há uma sensação de esgotamento emocional e de vazio", diz uma fonte à revista 'Semana', acrescentando que todos têm feito um esforço para se mostrarem mais vigilantes nesta fase, mas que o quadro acarreta alguma preocupação, sobretudo para o filho, o rei Felipe VI, que teme que a mãe, na sua idade, tenha sofrido o derradeiro golpe e não se sinta com forças para voltar a lutar pela vida.
As preocupações começaram logo no momento do funeral de Irene. Acompanhada pelas netas, Sofia e Leonor, a rainha tentou mostrar-se firme na chegada às cerimónias fúnebres, mas no interior da capela ficou claro o estado de dor profunda de Sofia que, pese embora se tenha mantido fiel ao protocolo, não conseguiu conter as lágrimas, numa imagem rara de fragilidade e vulnerabilidade que não estamos habituados a ver na mãe de Felipe VI, conhecida por manter as suas emoções à distância.
No entanto, depois do funeral, houve uma luz de esperança para a família real, uma vez que Sofia mostrou prontamente vontade de retomar a sua agenda, em vez de ficar fechada no Palácio a cultivar o desgosto. No entanto, a firmeza inicial não duraria muito e, apesar da tomada de decisão, Sofia voltaria a ceder à tristeza, esforçando-se para não cancelar a agenda. Segundo com os especialistas em realeza espanhola, há uma gigante sensação de orfandade que os mais próximos temem que seja demasiado para a monarca aguentar sozinha.
A isso soma-se o facto de, depois do forte apoio inicial, todos terem retomado a sua vida. As netas - que foram um forte consolo nos primeiros dias - voltaram para as suas atividades relacionadas com a formação académica, e também Felipe VI, com a sua agenda tão preenchida, não consegue ser tão próximo quanto gostaria na vida da mãe. Já Letizia, apesar de se ter mostrado muito carinhosa com a sogra nas cerimónias fúnebres, a verdade é que não mantém uma relação assim tão próxima com Sofia que lhe permita ser um consolo no dia a dia.
Com tudo isto, e apesar do esforço para nunca deixar a rainha sozinha, ninguém esconde que o seu estado é uma forte preocupação.