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Dezoito anos depois, continua sem haver uma resposta definitiva que diga aos pais de Madeleine McCann, Kate e Gerry, o que aconteceu à filha, que desapareceu misteriosamente do quarto onde dormia no resort Ocean Club, na Praia da Luz, mas nas últimas semanas, as buscas realizadas pela polícia alemã no Algarve voltaram a colocar o caso na esfera mediática.
Há muito que o procurador alemão Hans Christian Wolters diz saber que Christian Brueckner é a chave para resolver o caso Maddie e, numa corrida contra o tempo, a polícia revirou poços, descampados e terrenos próximos da Praia da Luz para tentar encontrar provas que incriminam o pedófilo alemão que, em setembro, será libertado, depois de terminar a pena que cumpre pela violação de uma idosa, de mais de 70 anos, no Algarve.
“Temos a certeza de que ele matou Madeleine McCann“, disse Wolters em entrevista à CMTV, em 2022. “Nós temos a certeza de que ele é o assassino de Madeleine McCann.”
Mas afinal, em que se baseia a forte convicção das autoridades alemãs de que Brueckner é o carrasco dos McCann? Ainda que não haja provas, há vários indícios que ligam o pedófilo a Maddie, a começar pelo facto de, naquela altura, ele residir nas imediações da Praia da Luz, no Algarve, onde constava de uma lista da polícia, de pedófilos. O seu 'currículo' de delitos neste sentido é extenso: além da condenação pela violação à turista septuagenária, há ainda registos de importunações sexuais a duas meninas, menores de idade, no Sul do País, onde seria também apanhado a roubar numa bomba de gasolina.
Viveu em Portugal entre 1997 e 2005, alternando com períodos na Alemanha, sendo que a mudança se terá devido a uma fuga à Justiça por um crime de abuso sexual contra uma criança.
Na altura do crime, o número de telemóvel que Christian Brueckner usava foi um dos 74 mil entregues à Polícia Judiciária pelas operadoras como estando ativo nas antenas que servem a Praia da Luz, com chamadas de longa duração, mas foi ignorado. Nas câmaras de vigilância, perante a hora tardia a que o crime terá acontecido, as imagens não são claras e apenas se vê um vulto de um homem a carregar algo. Há também relatos de funcionários do resort que são consonantes com a imagem de um homem com uma criança ao colo a sair do espaço.
À data do desaparecimento foram definidas duas linhas de investigação: Maddie, de três anos, ou tinha sido raptada ou morta em casa. Na primeira hipótese, o principal suspeito era Robert Murat, britânico, cuja casa onde vivia, a da mãe, foi revirada pelos investigadores, que chegaram a escavar no jardim. No entanto, a polícia nunca obteve indícios suficientes do crime.
Na outra tese, os próprios pais da menina a teriam matado no próprio apartamento, uma vez que cães treinados, vindos do Reino Unido, teriam detetado odor a sangue no quarto dos filhos de Kate e Gerry e também dentro do carro do casal. Dez anos depois, essas linhas de investigação foram abandonadas. Sabe-se que a menina terá desaparecido entre as 21h00 e as 22h00, numa teoria elaborada mediante o depoimento do casal, amigos e vários funcionários do Ocean Club.
Durante as férias, a rotina dos McCann não sofreu, aliás, grandes alterações: durante o dia os três filhos estavam, normalmente, entregues a amas, enquanto o casal fazia partidas de ténis entre amigos, entre outros programas, e à noite, enquanto as crianças dormiam, Kate e Gerry iam com os amigos jantar a um restaurante que, embora sendo dentro do próprio resort, não tina vista direta para o apartamento. Na noite do desaparecimento de Maddie, Gerry foi ver às 21h00 se estava tudo bem com as crianças e constatou que dormiam, depois disso, foi a vez de um amigo do casal ir ao apartamento, pelas 21h30, mas esse não terá entrado e apenas ouviu, pela janela que estava aberta, que não havia choros ou motivos de alarme. Foi quando Kate voltou à casa às 22h00 que terá dado pelo desaparecimento da filha.
Foi o início de um calvário e de uma investigação sem fim. As teorias iniciais foram abandonadas para seguir a pista Brueckner, mas para Gonçalo Amaral, que liderou a primeira parte do processo, o alemão é apenas um "bode expiatório".
"É um produto da ficção policial para limpar a imagem dos pais da menina desaparecida e um bode expiatório a quem se imputam as responsabilidades de outras", disse, numa forte convicção que nunca abandonou, apesar de toda a polémica que lhe tem valido.
A CONFISSÃO A UM COLEGA DE CELA
Por outro lado, e ainda que também não sirva como prova, Laurentiu Codin, ex-companheiro de cela de Brueckner, testemunhou em tribunal para garantir que este lhe contou que terá raptado uma menina no Algarve.
“Contou-me que, em Portugal, fez alguns roubos. Estava numa região em que havia hotéis e pessoas ricas a viver. Disse que estava em algum sítio com uma janela aberta, contou-me isto. Estava à procura de dinheiro”, disse, em declarações citadas pela imprensa britânica.
“Disse-me que não encontrou dinheiro, mas uma criança e que a levou. Disse que, duas horas depois, havia polícias com cães em todo o lado, por isso saiu dali, afastou-se da zona”, relatou o romeno, de 50 anos.
O ex-companheiro de cela contou ainda que Brueckner lhe disse que “estava outra pessoa com ele, com quem tinha tido uma discussão, alegadamente era a mulher dele”. E mencionou que o alemão lhe “perguntou se o ADN de uma criança pode ser retirado de ossos no chão”, refere o Mirror. Além disso, recordou que o alemão lhe disse ainda ter violado várias mulheres em Portugal.
À data do desaparecimento de Maddie, Bruekner, recorde-se vivia com uma menor, que dizia ser sua namorada, alegadamente do Kosovo. A polícia tentou chegar à dita rapariga que poderia ter informação valiosa, porém não foram conhecidos avanços no processo.
As buscas no Algarve foram o último grande fôlego para encontrar provas que incriminassem o alemão, que em setembro estará em liberdade, sendo que o advogado já alertou dos planos que tem para se evadir para um país que não tenha acordo de extradição com a Europa, não descartando a hipótese de fazer uma operação para alterar a sua fisionomia.