Segredos protocolares desvendados na receção dos reis de Espanha ao casal Macron
Já se sabe porque é que o rei Felipe VI se sentou ao lado de Brigitte Macron ou o motivo para certos pratos no luxuoso menu concebido pelo chef Joan Roca.Os reis Felipe VI e Letizia deram um jantar em honra de Emmanuel e Brigitte Macron no Palácio da Zarzuela, em Madrid. Foi um momento repleto de nuances com vários detalhes de simbolismo especial, que uma especialista em protocolo agora analisou em conversa com a 'Hola!'.
Marina Fernández decifrou cada gesto, ação e detalhe que fez desta noite um evento histórico: desde a disposição dos lugares de cada convidado até à importância do menu.
Nas visitas de Estado, "absolutamente tudo é medido ao milímetro para gerar uma sensação de equilíbrio institucional", observou.
Por exemplo, "os convidados mais importantes ficam em extremidades opostas da mesa", um lugar onde geralmente se aplica a "lei do descanso conjugal", uma regra de etiqueta para banquetes ou refeições formais que consiste em não sentar cônjuges juntos, de forma a "evitar que a conversa seja monopolizada".
Foi por isso que Felipe se sentou ao lado da primeira-dama francesa – com quem tem uma grande afinidade – enquanto Letizia se sentou ao lado do presidente francês.
O menu da noite, criado pelo premiado chef Joan Roca, foi uma homenagem gastronómica ao casal presidencial. A refeição começou com iguarias icónicas, como o brioche de trufas cozido a vapor e o nougat de foie gras. O prato principal foi lagosta à parmentier com cogumelos e a refeição terminou com a sua célebre sobremesa láctea, uma criação de 2003 concebida como uma jornada sensorial pelo leite de ovelha Ripollesa.
Este diálogo entre tradição e modernidade não foi por acaso, mas sim um reflexo deliberado da identidade do país, como explicou Marina Fernández: "Em relação à decoração da mesa e ao menu, há algo que considero muito interessante. Trata-se de uma mesa digna de um jantar de gala na Sala de Jantar de Estado do Palácio Real; as toalhas de mesa, a louça, os copos... tudo remete para a Coroa. Mas escolher Joan Roca como designer e criador do menu significa usar duas linguagens diferentes: a linguagem mais tradicional, em termos de utilização da louça do Património Nacional, e uma linguagem ultramoderna, que é a cozinha de Joan Roca".
"Penso que o que a Casa Real nos diz com isto é a natureza dupla do Estado espanhol: um Estado enraizado numa história antiga partilhada com França, neste caso, mas também um Estado moderno. E mostra-nos isso através da gastronomia", remata.