Tony Carreira revela a amizade inesperada que nasceu no "pior dia da sua vida": o funeral da filha Sara
Numa conversa sincera sobre a inevitável passagem do tempo, o cantor, de 62 anos, também se mostrou preocupado com os pais, Albano e Maria. "Em qualquer momento um dos dois pode partir", lamentou.Tony Carreira foi entrevistado por Luís Osório para a Antena 1, e falou de forma sincera sobre a inevitável passagem do tempo e de como lida com o envelhecimento dos pais, Albano e Maria, de 86 e 85 anos.
"Estão naquela idade em que em qualquer momento um dos dois pode partir e isso é aquilo que hoje me toca mais: é saber que um dia desses, um deles vai ficar sozinho, e isso está a mexer muito comigo ultimamente porque são pessoas maravilhosas”, confessou o cantor de 62 anos, com emoção.
“Acredito na espiritualidade, acho que a minha mãe é uma pessoa muito evoluída, mais que o meu pai (...) a minha mãe é mesmo muito boa pessoa. E o meu pai é um homem de guerra, é um homem de luta, mas que agora está mais bebé que a minha mãe”, explicou.
Luís Osório lembrou ainda que Mickael Carreira, o filho mais velho de Tony Carreira, já fez 40 anos.
"Para mim ele não tem 40 anos. Nunca há de ter. Terá sempre vinte e poucos. Mas realmente o tempo, para quem tem uma vida vivida, passa muito rápido", confessou o cantor.
Tony também falou sobre a filha, Sara Carreira, que morreu num trágico acidente de viação em 2020, abrindo o coração sobre o luto que carrega, a fragilidade da vida e as formas que encontrou para continuar a caminhar após a perda imensurável.
Dizendo sentir "necessidade" de falar da filha todos os dias, mas "com alegria", o cantor expressou o carinho que nutre por Molly e Roxy, as duas cadelas de Sara, e dois 'presentes' que a filha lhe deixou.
“Como eu fiquei com as duas cadelinhas dela, a Roxy e a Molly, para mim, são minhas netas. São filhas da minha filha”, considerou.
O cantor recordou aqueles que foram os mais duros e trágicos momentos da sua vida e a forma como isso o transformou.
“Na partida da minha filha, eu tinha duas possibilidades de andar cá. Uma vez que não me passava pela cabeça sequer acabar com a minha vida, não me passou, graças a Deus não me passou. (…) Porque tenho uma responsabilidade muito grande. Ainda tenho dois filhos e não quero fugir às minhas responsabilidades como pai, pelo menos. Ou o caminho de eu ficar uma pessoa completamente amarga, uma pessoa completamente azeda, completamente revoltada contra tudo. E podia. E tinha, entre aspas, esse direito. (...) Ou tinha a possibilidade de cuidar de mim e de arranjar ferramentas para poder, enquanto cá, andar minimamente bem. Ninguém tem culpa daquilo que me aconteceu, só o universo, portanto enquanto cá andar vou tentar andar bem", confessou.
"Não tinha grande relação com a fé há muitos anos e no desespero da partida da minha filha, certamente, e porque precisava de algumas respostas, interessei-me muito pelo fenómeno da vida após a morte, pela igreja. E há uma pessoa, o bispo D. Américo de Aguiar, que conheci na Basílica [da Estrela] no pior dia da minha vida, que foi muito importante e que me trouxe de volta à fé", recordou.
Tony Carreira não ficou indiferente ao apoio que sentiu do País inteiro, que com ele chorou a partida de Sara.
"O que é certo é que, com todo o apoio que tive de todo o Portugal inteiro - os que gostavam das minhas canções e os que não gostavam - aprendi a maior das lições: perceber que não somos absolutamente nada”, confessou o artista.