Poderosa rede de dinheiro e influência chega a Portugal: 'Rei dos Frangos' faz negócio com nova investidora do Benfica, filha de magnata que foi perdoado por Trump após ser acusado de corrupção
José António dos Santos decidiu vender toda a sua participação da SAD do Benfica ao grupo de Francesca Leiweke Bodie, de 40 anos, uma figura de referência na área das grandes arenas e recintos desportivos dos EUA.No passado dia 23 de abril, José António dos Santos, empresário do sector avícola conhecido como o 'Rei dos Frangos', e a sua holding, o Grupo Valouro, venderam a totalidade da participação que detinham na Benfica SAD, num total de cerca de 16,38%.
Conhecido pela sua fortuna e amizade com Luís Filipe Vieira, José António dos Santos, natural da Marteleira, construiu o seu império a partir de um negócio familiar. Mandatário por três vezes da campanha presidencial de Cavaco Silva, a sua ligação ao clube das Águias começou na infância. À revista 'Sábado', revelou ter aprendido a ler “por causa do Benfica”. O objetivo era poder ler os jornais desportivos que falavam do clube encarnado, do qual se fez sócio aos 14 anos, em 1955.
No entanto, o empresário decidiu agora fechar esse capítulo da sua vida, fazendo negócio com um grupo norte-americano, a Entrepreneur Equity Partners, que se torna assim no segundo maior acionista da SAD, a seguir ao próprio Benfica.
"Foi um bom negócio para mim e para o Benfica", assumiu José António dos Santos. Segundo o que o 'Jornal de Negócios' apurou, o valor pago ronda os 12 euros por ação.
A NOVA INVESTIDORA NORTE-AMERICANA
O rosto mais visível da Entrepreneur Equity Partners é a empresária Francesca Leiweke Bodie, antiga diretora de operações da Oak View Group, que gere vários recintos desportivos nos EUA.
Casada com o antigo jogador de hóquei canadiano Troy Bodie, Francesca foi a responsável pela captação de milhões de dólares em capital de investimento para os mais diversos projetos de recintos e arenas, entre os quais um em Las Vegas avaliado em 10 mil milhões de dólares.
Francesca, de 40 anos, aprendeu tudo com o pai, Tim Leiweke, um poderoso magnata que construiu algumas das mais importantes arenas desportivas da América do Norte, como o Staples Center, em Los Angeles, ou o Scotiabank Arena, em Toronto.
Ora Leiweke viu-se recentemente envolvido num escândalo de corrupção. No ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA indiciou-o por conspiração na manipulação de um concurso público para a construção de uma arena na Universidade do Texas.
No rescaldo da polémica, Leiweke acabou por deixar o cargo de CEO da Oak View Group - sim, a mesma empresa onde a filha construiu a sua carreira - mas, em outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, concedeu-lhe um perdão total e incondicional, antes sequer de o processo chegar a tribunal. Leiweke declarou “profunda gratidão” a Trump.