O nome de Novak Djokovic ficará para sempre inscrito na história do ténis mundial como um dos melhores e mais completos atletas da modalidade. O sérvio, de 38 anos, começou cedo a pegar numa raquete e a jogar, mas nessa altura a sua vida estava longe de ser um conto de fadas.
"Quando era ainda um menino, na Sérvia, por volta das cinco da manhã tínhamos que ir para a fila para conseguir pão e leite", contou aquele que foi durante várias temporadas o número 1 do Grand Slam em declarações à Sony Sports Network. Garantiu que sabe bem o que é ter um único pão para alimentar uma família de cinco ou seis pessoas.
Faz também parte das suas recordações de menino os tempos da guerra da Sérvia, uma das mais violentas da Europa moderna. "Lembro-me de uma noite em que minha mãe... Imagina, estavas a dormir e, no meio da noite, acordas com a sirene e precisas pegar na tua mochila e descer para a cave do prédio para tentar proteger-te. Na primeira vez que aconteceu, minha mãe levantou-se no escuro, porque dormíamos todos juntos, não sabíamos o que ia acontecer e chorávamos todas as noites. Ela caiu, bateu com a cabeça no aquecedor e perdeu a consciência. Eram 3 da manhã e meu pai estava ali com a mulher inconsciente. Eu, que tinha 12 anos, e meus irmãos mais novos, de 8 e 4 anos, só chorávamos. Foi o pânico total", recordou Djokovic numa entrevista ao jornal argentino 'La Nación'.
Esses dias de pobreza e guerra fazem agora parte do passado. Hoje, é milionário mas parece não esquecer as dificuldades da infância: "Sou grato por tudo que tenho e por todas as bênçãos que recebi, e aprecio e respeito profundamente tudo que Deus me deu. Por isso, tenho consciência de que existem pessoas no mundo menos afortunadas do que eu, e, por através da minha Fundação, tento ajudar as pessoas da melhor maneira possível. Sei que não é o suficiente e que posso fazer mais, mas faço o melhor que posso”, disse numa outra entrevista.