Foi preciso a tempestade Kristin atingir Portugal e lançar o caos sobre a zona Oeste, de Leiria a Monte Real, da Marinha Grande à Narazé, semeando desgraça, removendo o que parecia sólido, para um fantasma surgir das profundezas, na praia do Sul, Nazaré. Um mês depois, os despojos do carro onde seguia Maycon, o concorrente da 'Casa dos Segredos' que perdeu a vida na madrugada de 31 de dezembro, deram à costa. Foram arrancados pelas ondas gigantes, mundialmente famosas, de seis metros de profundidade. E trouxeram novas questões.
Porque estava o carro engrenado com marcha atrás? Não deveria ser o oposto, uma vez que "voou" da falésia? E, igualmente estranho, porque está travão de mão puxado? Um jornalista da TVI levantou as questões e, mais, relacionou-as com os amigos de Maycon que continuam a questionar a tese de suicídio, defendida pelas autoridades após a autópsia e a conclusão da investigação. Mas afinal? há razões para duvidar que Maycon quisesse por termo à vida? Há razões para pensar que esta história continua mal contada ?
Até hoje não se sabe o que levou Maycon Douglas, já madrugada longa, quase manhã, a meter-se no carro, mochila na mão, como se estivesse pronto a ir para o Algarve - onde iria ser MC na noite seguinte, de fim de ano - e rumar ao farol de São Miguel Arcanjo, precipício da Narazé, de onde se avistam as ondas gigantes, de onde o seu carro voou para o mar. Sabe-se o seguinte: que esteve numa discoteca, onde também esteve a namorada, que ali teria havido mais uma cena de ciúmes devido um alegado 'flirt' com outra rapariga - Maycon era popular entre o género - e que a discussão sobre o seu comportamento se arrastou até casa. Ali, além de discutir com a namorada - que até depois da sua morte ninguém (publicamente) sabia que "existia" -, também trocou umas palavras mais feias com a mãe. Vivia ainda com a mãe, numa pequena casa, onde era fácil uns tropeçarem na vida dos outros.
Maycon Douglas bebera nessa noite. Assim revelou depois a autópsia que acusou álcool, mas não drogas no sangue. "Não podemos dizer que não tenha tomado ácidos, por exemplo. A autópsia não acusa. Estes dissipam-se no álcool. A análise só acusa cocaína ou heroína. E isso ele não tinha tomado", explica fonte policial à FLASH!.
"Ele fazia muito sucesso com as miúdas. Tinha as que queria. Quando saiu do programa percebeu que a fama, que o ser conhecido, podiam dar-lhe muitas coisas, Acho que se perdeu um bocado nisso. Andou meio perdido", conta quem o conheceu. Por "perdido" entenda-se, por exemplo, uma confusão numa semana de finalistas em Punta Úmbria, onde foi flagrado aos beijos com uma rapariga. A namorada de então soube do caso e o romance de conto de fadas, que começara no programa da TVI, 'Casa dos Segredos', onde ambos foram concorrentes, terminou de forma abrupta. Ainda viajaram juntos para Londres, para uma "presença" paga, mas já não estavam juntos. Aliás, essa viagem também tem um "histórico", com o casal a sair do hotel em ritmo acelerado depois de disparar um alarme de incêndio.
MC de profissão, Maycon não parava. Nem a lesão que sofreu e o obrigou a andar de muletas pouco antes do seu fim, o fizeram diminuir o ritmo. "Aquilo do pé chateava-o", explica a mesma fonte. Mas o que o 'chateava' mesmo era o que se passava nas redes sociais. Era comum ver @juicyrasta - o seu nome no Instagram - a discutir com os seguidores. Não entendia as más palavras, o ódio. Não percebia que a fama também pudesse trazer ofensas gratuitas. Preferia o lado "bonito": as sessões como MC, conhecer pessoas novas, curtir a vida. Afastou-se dos "amigos" do reality show, que ficaram para trás por fazerem parte de uma fase da sua vida. Afastou-se da antiga namorada. E nunca chegou a assumir a de então, da época em que desapareceu no mar, há pouco mais de um mês.
Apesar das crises do filho, dos gritos na casa minúscula da Nazaré, a mãe ainda não acredita (nem compreende, claro) o que aconteceu. E agora, o carro, vem alimentar de novo a "teoria da conspiração": que não foi ele que quis por fim mas quiseram por ele. Aguarda-se explicação para os novos dados por parte das autoridades.