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Polémica

Ljubomir vende todos os restaurantes a grupo internacional. É o fim de uma era com 17 anos do chef que se tornou famoso pelos ataques de fúria na televisão

Em 2009, falido, cheio de dívidas e depois de noites em que dormiu num banco de jardim, conseguiu reerguer-se e reabriu o '100 Maneiras' no Chiado. Em 2024, após vários desaires pessoais e empresariais, começou uma travessia no deserto da restauração que culminou agora na venda de todos os seus restaurantes. Perdeu a estrela Michelin, um dos espaços ardeu, deixou escapar um contrato televisivo milionário. Diz que se vai dedicar "à vida no campo".
Por João Bénard Garcia | 09 de maio de 2026 às 11:36
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O chef Ljubomir Stanisic, de 47 anos de idade, vende todos os seus restaurantes. A notícia caiu que nem uma bomba na noite de sexta-feira, dia 8. "O grupo '100 Maneiras' mudou de mãos. Ljubomir Stanisic, Nuno Faria e Nelson Santos passaram o '100 Maneiras', Bistro 100 Maneiras e Carnal Gastrobar". É desta forma que em comunicado o polémico e popular chef de origem jugoslava e os seus sócios anunciaram nas redes sociais o fim de um sonho com 17 anos. E continuam, comprovando a má fase nos negócios que o cozinheiro que veio do Leste está a atravessar. "Hoje anuncia-se o fim de um ciclo, mas também um início. O meio ficou para trás, nas histórias que se contaram ao longo destes 17 anos em Lisboa, guardadas dentro do coração de muitos. Porque somos muitos, nós. O '100 Maneiras' é gente", avançam.

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O comprador é um grupo internacional Dhurba Subedi, liderado por Jamuna Subedi, Dhurba Sapana, Niraj Subedi e Kismita Subedi, com mais de 100 restaurantes espalhados pelo mundo e que detém em Lisboa os restaurantes Las Ficheras, no Cais de Sodré com uma gastronomia inspirada nos cabarés mexicanos, e o Marisqueira UMA, na rua dos Sapateiros, também na capital. No mesmo comunicado em que anunciam o fim de uma era, Ljubo afirma ainda: "Foi ('100 Maneiras'), antes de mais, o meu primeiro filho, o primeiro projeto que abri em nome próprio em Portugal, em Cascais, quando tinha apenas 26 anos e mal dominava a língua portuguesa. Hoje marca-se apenas o fim de um ciclo. Não o fim das lutas, mas o início de outras batalhas. 'O que a lagarta chama de fim do mundo, o mestre chama de borboleta.', diz Richard Bach, um dos meus escritores favoritos".

CARTA DE AMOR E DESPEDIDA AOS COLABORADORES E CLIENTES

O chef afiança ainda que "esta é a carta de amor que precisávamos escrever. Antes de mais, à equipa, essa turba de gente díspar, meio torta, muitas vezes disfuncional, que passou por aqui nestas duas décadas. É também uma carta de amor aos clientes, aos parceiros, à imprensa, aos amigos, aos artistas amigos que sempre nos pintaram as paredes com efervescência, atitude, aos restauradores independentes, à hotelaria feita de corpo e alma. Temos lágrimas, claro. Porque um filho não se desamarra sem elas. Mas temos sobretudo orgulho no que construímos. Queremos construir mais – e, se possível, melhor. Queremos dar tempo ao tempo, ter tempo, continuar a fazer a diferença, manter o sangue desta equipa sempre quente nas nossas veias, fazendo sempre como se fosse a primeira vez. Assim o faremos, noutras latitudes, de outras maneiras, com outros nomes, mas sempre sem medo, sem merdas", remata.

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O cozinheiro não revela os novos projetos, mas desvenda um ponta do que poderá acontecer: "Estou cada vez mais encantado com a vida no campo, a desenvolver projetos de ligação direta à terra", solta, defendendo a sua dama: "Somos. Fomos. Seremos. Sempre. Sem maneiras. Com cem maneiras de olhar o mundo, a vida, os outros. Sempre diferentes, sempre caminhando em frente. (Porque para trás só mija a burra)", conclui.

A CULPA É DA CRISE E DO PÓS-PANDEMIA

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E deixa uma mágoa, com que tenta justificar o fim da operação gastronómica no Chiado, em Lisboa: "Lutando para pagar os investimentos, os empréstimos fruto do confinamento, os impostos e os produtos que nunca paravam (páram) de aumentar. Fizemos frente a esta(s) guerra(s), lutámos em nome dos restauradores independentes, da hotelaria, falando sem medos das letras, fazendo jus à liberdade. Hoje marca-se apenas o fim de um ciclo”, descrevem ainda no comunicado, numa alusão aos desafios trazidos por um cenário de pós-pandemia.

Nos últimos 12 anos, Ljubomir Stanisic tornou-se um dos rostos mais conhecidos da televisão pelas suas participações em reality shows de culinária, como o 'Masterchef', ainda na TVI, 'Pesadelo na Cozinha' (TVI) e 'Hell’s Kitchen' (SIC) – onde sempre teve uma postura firme e sincera com os participantes, sem poupar palavrões e duras críticas. O cozinheiro vive em Portugal desde 1997, quando cá chegou aos 19 anos para fugir da guerra na Bósnia. Aos 14, trabalhou numa padaria para sustentar a sua família e foi menino soldado nas montanhas ao redor de Sarajevo. Aos 26, abriu o seu primeiro negócio, o restaurante '100 Maneiras', no Hotel Villa Albatroz, em Cascais, a meias com o antigo amigo e chef José Avillez, que foi à falência com estrondo em 2008.

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