O "insonso" Rui Patrício: "Não aparece em grandes carrões e não é fotografado em grandes casas de milhões..."
O conhecido guarda-redes terminou oficialmente a carreira de jogador. Não voltará aos relvados como atleta.Aos 37 anos, Rui Patrício resolveu pendurar de vez as luvas, retirando-se como o guarda-redes com mais internacionalizações pela seleção nacional, com 108. Do currículo do ex-atleta, natural de Leiria, faz parte a conquista do Euro2016, como também da Liga das Nações de 2019.
Luís Osório dedicou um dos seus 'Postal do Dia' ao antigo guarda-redes sob o título "O insonso Rui Patrício" a propósito da sua despedida dos relvados: "Rui Patrício despediu-se do futebol. A Federação Portuguesa fez-lhe uma bonita homenagem, mas a generalidade da Comunicação Social ofereceu ao acontecimento uma envergonhada importância, um rodapé do dia. Rui é o guarda-redes mais internacional da história do futebol em Portugal – vestiu a camisola da seleção 108 vezes. Foi o herói da conquista do Campeonato da Europa. É certo que sem aquele pontapé divino de Éder não teríamos conseguido, mas também é certo que sem as suas defesas impossíveis nem sequer teríamos chegado à final e muito menos a teríamos ganho."
Continua o escritor: "Foi também o guarda-redes com mais jogos na história do Sporting, mas caiu em desgraça por ter virado as costas após o ataque de vândalos a Alcochete. Talvez a Rui Patrício tenha faltado jogar num grande clube internacional, mas a sua carreira é extraordinária. Só que ele, sendo um dos maiores, despediu-se do futebol como se tivesse tido uma carreira boa, mas banal, uma carreira parecida a de outros."
"Porquê?" questiona Osório para, de seguida, dar a sua própria perspectiva: "Uma pergunta fácil de responder. Rui Patrício é demasiado discreto. Para um mundo viciado em sal, é insonso. Para um país viciado em açúcar, é uma sobremesa macrobiótica. Nunca se põe em bicos de pés, deixa sempre serem os outros a brilhar. Raramente dá entrevistas, mas nunca procurou nas poucas que deu seguir uma estratégia pessoal", considera o também jornalista.
E termina: "Não aparece em grandes carrões, se calhar aparece, mas não damos por isso. Não é fotografado em grandes casas de milhões, sei que vivia num apartamento de classe média em Telheiras. É casado com Vera Ribeiro, conhecida psicóloga, mas nem por um segundo aproveitou a relação com a mãe dos seus ainda pequenos filhos, Pedro e Eva, para tirar benefícios mediáticos. Faz pensar, não faz? O que teria sido se fosse menos humilde? Um dia a história colocará tudo na sua exata proporção, valha-nos isso. Mas que irrita, irrita."