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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

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O fim de Bruno

A Assembleia Geral do Sporting foi o culminar de uma das mais negras tentativas de manipulação de um processo eleitoral em mais de quatro décadas de democracia.
29 de junho de 2018 às 13:34
Bruno de Carvalho, Joana Ornelas
Bruno de Carvalho, Joana Ornelas Foto: Cofina Media

A Assembleia Geral do Sporting que interrompeu a carreira de dirigente desportivo de Bruno de Carvalho tinha tudo para acabar mal. A reunião não foi transmitida por nenhum canal televisivo. Isso abriu campo a todo o tipo de pressões, intimidações e manipulações. Lá dentro, todos os vídeos amadores que surgiram mostravam a agressividade permanente contra os organizadores da assembleia. Todos os directos nas redes sociais que foram feitos a partir do interior do Altice Arena reforçaram a aparência de que o antigo presidente do clube era alvo de uma campanha de apoio generalizado.

Cá fora, vários adeptos supostamente anónimos colocavam-se perto dos repórteres que estavam em directo, oferencendo-se para entrevistas que pareciam aleatórias, mas que eram cuidadosamente manipuladas em benefício da criação deste sentimento pró-Bruno. Finalmente, a intimidação junto de jornalistas e sócios mais pacíficos foi uma constante,  com atitudes violentas, consentâneas com os últimos anos da vida do Sporting.

Ora, apesar de tudo isto, uma gigantesca maioria silenciosa de sócios, vindos de todo o País e de vários pontos do globo, criou uma maioria absolutamente inequívoca para despachar o homem que estava em pleno processo de destruição do clube. Trata-se de uma excelente notícia, e a democracia respira de alívio. Mas a Assembleia de sábado constituiu uma das mais tristes tentativas de manipulação nas últimas décadas do País, uma página negra  que deve ser muito bem analisada para vermos como as instituições podem ser subvertidas por dentro.  

A marca-selecção

Diz-se que o futebol é um dos produtos mais valiosos da televisão, mas isso não é dizer toda a verdade. Só algumas marcas de futebol, como a Selecção Nacional ou a Liga dos Campeões enquanto competição, agregam multidões como a que assistiu ao Portugal-Irão. Mais de 3 milhões de espectadores. Incrível.

Fim do monopólio

A criação de novos canais de futebol em Portugal é uma excelente notícia. Significa o fim do monopólio da Sport TV, e o fim de qualquer monopólio é sempre bom para os consumidores e para o mercado. A Eleven, uma empresa internacional de direitos de desporto, tem a Champions e a liga espanhola, pelo que vai arrancar em força, e promete baixar preços. Oxalá! 

A fragilidade humana

Um calor abrasador, uma agenda extenuante, e uma viagem à Rússia com problemas na alimentação: eis os três factores que terão estado na origem desta imagem, em que o político mais popular do País é levado em ombros para um hotel, e logo a seguir para o hospital de Braga. Qualquer imagem da fragilidade humana é verdadeiramente angustiante, e isso é ainda mais notório quando se trata da imagem de um homem poderoso. As televisões mostraram tudo, cumprindo a sua missão.

Vídeo-árbitro

Ame-se ou odeie-se, o VAR altera o ADN do futebol. A introdução do vídeo-árbitro no mundial teve 3 efeitos principais: aumentou o número de grandes-penalidades; aumentou as paragens de jogo sempre que o árbitro vai ao monitor; e acrescentou alguma verdade desportiva à competição. Creio, contudo, que a pressão e o nervosismo vão aumentar nas eliminatórias. Ainda é cedo para fazer o balanço final.

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