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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

Notícia

A milícia de Alcochete

A imagem de um conjunto de jovens encapuzados, a correr de forma agressiva na direcção da câmara, tem uma tal força e impacto que alterou a relação da sociedade com a violência no desporto.
25 de maio de 2018 às 11:42
Alcochete
Alcochete

Terça-feira da semana passada um conjunto de jornalistas preparava--se para reportar, à entrada da Academia do Sporting, em Alcochete, um treino marcado para essa tarde. A notícia suscitava bastante interesse, devido aos maus resultados do clube, à tensão entre o presidente, o treinador e os jogadores, e, finalmente, devido às notícias sobre  suspeitas de viciação da verdade desportiva por parte de dirigentes sportinguistas.

Subitamente, um bando de 50 encapuzados corre pela estrada de acesso à academia, em pose agressiva que procurava aparentar disciplina militar. Os primeiros a serem ameaçados foram os jornalistas. Aqueles hooligans não queriam testemunho nem a imagem do crime que iam cometer.

O rumo da História virou por mero acaso, como quase sempre: o repórter de imagem da CMTV, Diogo Rodrigues, estava em direto, e cumpriu o seu papel. Registou a chegada do que mais parecia uma milícia disposta a chacinar quem lhe aparecesse à frente. A imagem rapidamente encheu redes sociais e sites, e, hoje, todos os portugueses a terão visto. Ora, por vezes há imagens assim. Imagens que registam uma determinada realidade de uma forma tão marcante que alteram os termos da relação social com os fenómenos retratados.

É este o sortilégio da televisão: num instante, pode enfeitiçar os espectadores e criar movimentos colectivos avassaladores, seja para o bem, seja para o mal. Neste caso, fez da violência no desporto um assunto de Estado. Eis o jornalismo em estado puro – em directo, sem filtros, serviço público, raro mas inesquecível.  

Um globo cheio de nada

O resultado deste ano dos Globos de Ouro foi, seguramente, um dos piores de sempre, com pouco mais de 670 mil espectadores. O programa ficou num claro último lugar, atrás, tanto da 'Casa',  como da final de 'Got Talent'. O espectáculo passou despercebido, o que é dramático para uma gala como esta.

Bruno Chavez

O presidente do Sporting falou durante cerca de hora e meia, naquilo que era para ser uma conferência de imprensa, mas que foi uma cerimónia "à la Hugo Chavez", até chegar às perguntas dos jornalistas. Todos os canais de informação, menos a SIC Notícias, optaram por interromper o momento, ridículo entre todos, em que Bruno falou sem dizer nada.

A novela do futebol

Parece-me absolutamente incompreensível ouvir pessoas do futebol a criticarem o facto de haver programas de televisão que se destinam unicamente a discutir os lances, os jogos e as polémicas. Falam de barriga cheia: quantas outras indústrias, negócios ou actividades dariam tudo para terem o mesmo tempo de antena? Fixem este princípio: o sucesso do futebol entre nós depende e está intimamente ligado ao facto de existirem tantos programas que mantêm a atenção focada nos jogos que decorrem uma vez por semana, durante meros 90 minutos.

O arquivador-geral

Passou despercebida uma entrevista de Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República, a Ana Lourenço, na RTP3. Pinto Monteiro liderou o Ministério Público num período negro para a justiça. Perguntado se foi, ou não, o arquivador-geral da República, Pinto Monteiro auto-intitulou-se como "o homem que não prendeu José Sócrates".  Fica o baptismo gravado em pedra. Ele lá sabe porque insistiu neste novo cognome.

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