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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues

Notícia

A televangelista

Onde Araújo Pereira destapa a careca, os podres e as incongruências do regime, Cautela faz uma espécie de fundamentação da metafísica do poder.
Filomena Cautela
Filomena Cautela

Filomena Cautela, uma apresentadora com talento, tem agora um programa cuja primeira emissão foi má demais para ser verdade. O nome é bizarro, 'Programa Cautelar'. O formato não é original, apesar de isso não ser referido durante toda a emissão. Para o espectador português, o Cautelar é facilmente comparável aos programas de Araújo Pereira.

Um apresentador a lançar vídeos ou imagens, desconstruídos através do texto e das piadas durante os respetivos lançamentos. No caso de Filomena, em pé e com variantes de câmara e de cenário, à moda dos formatos peripatéticos que constituem o que de mais provinciano há na televisão portuguesa. No caso de Ricardo, sempre sentado, ao jeito de um telejornal clássico. Só que há um abismo filosófico a separá-los. Onde Araújo Pereira destapa a careca, os podres e as incongruências do regime, Cautela faz uma espécie de fundamentação da metafísica do poder. A emissão inicial foi uma defesa escandalosa, fraudulenta e parcial, da famosa carta dos direitos online, primeira tentativa jurídica de recuperar os valores da censura entre nós.

A sociedade civil tenta resistir a esse golpe perpetrado com a conivência do parlamento e o beneplácito presidencial. A RTP1 procura desconstruir a reação social de repúdio a tamanha ignomínia com propaganda high-tech em horário nobre. Filomena Cautela passou a ser a televangelista do regime? 

Informação

10 de junho

Marcelo tem o dom de antecipar o espírito do tempo. Começou, muito antes dos restantes políticos, a explicar que a redução drástica do númerode mortos possibilitado pelas vacinas alterou profundamente o grau de ameaça da Covid. Um ano depois de limitar a oito o número de pessoas que puderam assistir ao Dia de Portugal, Marcelo ensaiou no 10 de junho, no Funchal, o primeiro banho de multidão no mundo pós-pandemia. O povo também está sedento de regressar à normalidade, mas o medo atrasa a recuperação. Estes diretos televisivos ensaiam o regresso da vida tal como ela era,e vão ajudar a recompor o tecido social que saiu da pandemia.

Entretenimento

Marco Paulo

A estreia na SIC foi um sucesso, e anulou a tarde de sábado da TVI, tantas vezes líder por beneficiar da falta de comparência dos concorrentes. Já aqui se falou da história de amor que há entre os portugueses e o cantor, e esta é uma nova manifestação desse romance. Os portugueses gostam genuinamente de Marco Paulo e as audiências refletem essa admiração. Porém, é preciso melhorar. Na primeira emissão sempre se perdoa a falta de ritmo, que houve, e muita. Ana Marques tem de encontrar o seu lugar. Depois da primeira e folgada vitória, será sempre a doer.

Audências

(neutro) 

Euro 2020

A começar pelo nome, que engana, o Euro em 2021 está a tornar-se um problema para a UEFA. O adiamento por um ano devia ter concentrado tudo num só país. A permanente mudança agrava o risco da Covid. O torneio tem tudo para se transformar numa tempestade perfeita para o futebol.

(desce)

Goucha

O som de fundo tinha música da filha, e Tony Carreira não se conteve. Estava magoado. Goucha tentou ser eficaz a resolver a falta de sensibilidade, mas

o mal estava feito. É o mal de quem trabalha em televisão – lida tão profissionalmente com as emoções que o risco maior é tornar-se insensível.

(desce)

Fernando Medina

Um político pedir desculpa não é assim tão habitual entre nós, pelo que é curiosa a reação do autarca ao escândalo Rússia-gate, que diz respeito à passagem de dados pessoais de manifestantes à embaixada de Moscovo. Porém, o caso é tão grave que a posição de Medina sai muito fragilizada.

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