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As dores de Pedro Passos Coelho até à nova alegria: da doença da mulher Laura à sua morte, de "pai solteiro involuntário" a avô dedicadíssimo

Tinha tudo para a vida finalmente lhe correr bem, mas o destino pregou-lhe a pior das partidas. Era feliz no casamento com Laura Ferreira, mas um cancro roubou-lhe a sua "fofinha". Ficou sozinho com uma filha de 13 anos, adolescente da 'Geração Tik Tok', para criar, com um claro "choque geracional". Valeu-lhe o apoio das filhas e da enteada.
Por João Bénard Garcia | 13 de agosto de 2026 às 20:43
Pedro Passos Coelho e Laura Ferreira Foto: Arquivo FLASH!

Viúvo da fisioterapeuta Laura Ferreira há seis anos e meio, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, de 62 anos de idade, tem encontrado na família o seu objetivo de vida e em simultâneo o seu porto de abrigo. Este verão, nas suas habituais férias na praia da Manta Rota, no Algarve, ficou claro que a sua dedicação recai em especial sobre Benjamim, o seu primeiro neto, que acabou de completar 16 meses de vida. Faz todo o sentido: é um menino indefeso, e, como revelou o político e académico à revista TV Guia que esta semana está nas bancas, "um garoto pequenino é sempre uma alegria, em particular até porque é um rapaz. É a novidade na família".

Mas antes de o centro das suas atenções ser o novo bebé – o primeiro rapaz numa família onde só nasceram raparigas – era a filha Júlia, agora com 19 anos, quem preocupava o político que herdou um País em bancarrota e subjugado às rígidas regras de uma Troika de credores internacionais e em simultâneo vivenciou o drama da doença da mulher Laura. Júlia perdeu a mãe quando tinha apenas 13 anos e contou com o pai cuidador para ser o pilar da sua formação, enquanto pessoa, como estudante e futura profissional. Foi duro, como o próprio já revelou... Mas já lá vamos, com detalhe.

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Este verão Passos Coelho é claramente um homem mais feliz. Foi ao colo do avô que Benjamim foi várias vezes à praia no Algarve, e onde, pela primeira vez, sentiu o que é areia e água do mar. Também à TV Guia o ex-governante revelou a alegria do menino com esta nova experiência estival. "Como foi a primeira vez que o Benjamim foi à praia, porque o verão passado tinha pouco mais de quatro meses, estranhou e depois habituou-se, brinca na areia e na água. Agora já está habituado, como todos os garotos, e gosta", descreveu.

Passos Coelho na praia com o neto e com a filha, na Manta Rota Foto: D.R.
Pedro Passos Coelho, de pai solteiro a avô dedicadíssimo Foto: D.R.
Passos Coelho: da dor da morte da mulher à nova vida de avô Foto: D.R.
Pedro Passos Coelho, pai solteiro e avô dedicadíssimo, vive uma nova alegria após um período difícil Foto: D.R.
Passos Coelho na praia com o neto, após a morte da mulher Foto: D.R.
Passos Coelho na praia com o neto e com a filha, na Manta Rota Foto: D.R.
Passos Coelho na praia com o neto e com a filha, na Manta Rota Foto: D.R.
Passos Coelho na praia com o neto e com a filha, na Manta Rota Foto: D.R.
Passos Coelho na praia com o neto e com a filha, na Manta Rota Foto: D.R.
Passos Coelho na praia com o neto e com a filha, na Manta Rota Foto: D.R.
Passos Coelho na praia com o neto e com a filha, na Manta Rota Foto: D.R.
Passos Coelho na praia com o neto e com a filha, na Manta Rota Foto: D.R.
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Houve ainda a oportunidade de testemunhar que Pedro Passos Coelho é um avô bastante dedicado e confirmar também que Benjamim é um menino bastante precoce no andar, já caminha pela mão do avô e da mãe, Catarina Padinha, sem se atrapalhar. Questionado pela mesma publicação sobre como descreveria o neto, Passos Coelho explicou, sem entraves: "O Benjamim é, pelo menos, um bebé muito bem disposto. O resto se verá".

ALEGRIAS APÓS DOZE ANOS DE BASTANTE DOR E SOFRIMENTO

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O ano de 2026 está a ser o primeiro em que Pedro Passos Coelho começa a ter razões para sorrir desde que em 2014 começou o drama da esposa Laura e se agravou o desgaste de governar sob espartanas limitações orçamentais e económicas. Convém recordar os momentos, ainda no Governo, que o antigo primeiro ministro viveu de sofrimento familiar, tentando que isso não afetasse o seu desempenho político. No verão desse ano, Laura sofreu uma lesão grave no trabalho que não ficou bem curada. Em poucos meses a sua mobilidade foi-se agravando e limitando. As suspeitas de que era algo mais grave confirmaram-se quando é diagnosticada com um osteossarcoma, um tumor ósseo agressivo que a forçou a várias sessões de quimioterapia no período pré e pós-operatório.

Laura Ferreira, Pedro Passos Coelho Foto: Flash

Na biografia autorizada de Pedro Passos Coelho, 'Somos o que Escolhemos Ser', escrita em 2014 pela assessora parlamentar do PSD Sofia Aureliano, Laura Ferreira testemunhou quanto o marido Pedro se dedicava à família e como este era o pilar da mesma. Em fevereiro de 2015, Laura foi operada no Hospital de Santa Maria para remoção do tumor. A fisioterapeuta tentava recuperar a mobilidade, enquanto se adaptava à prótese no joelho, mas o fantasma do cancro pairava na sua mente, e ela não o escondeu: "Eu tenho medo de deixar as minhas filhas, a minha família, o meu marido. Tenho muito medo de morrer. O Pedro consegue tranquilizar-me e dar-me uma força", confessou, no exato momento em que tinha recebido a informação de que a quimioterapia era para manter até ao verão desse ano.

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A doença da mulher alterou por completo as rotinas do primeiro ministro e da família. Apesar da agenda apertada, Passos Coelho faz questão de acompanhar a mulher enquanto esta está no hospital "venha de onde vier". E logo de seguida ia "para casa jantar com as filhas", descrevendo-o a própria Laura como sendo "um coração mole por detrás da casca dura". Os dois estavam ainda perdidamente apaixonados quando o cancro tirou a vida a Laura.

Aos 38 anos, a fisioterapeuta tinha acabado de se divorciar e conhece Pedro Passos Coelho. Ficaram os dois perdidamente apaixonados, casaram em 2004, e sem deixar apagar a chama, como ela não fez questão de esconder na biografia autorizada do marido: "Se ele me telefona a meio da tarde a dizer para irmos jantar fora, eu vibro. Ainda tenho borboletas! Fico ansiosa, a contar as horas para estar com ele! Isto é estar apaixonada!".

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PODIA ACABAR O MUNDO E PASSOS MANTINHA-SE SERENO, CONTOU LAURA

A fisioterapeuta, entretanto falecida em 2020, revelou no mesmo livro características que a faziam manter-se 'in love' pelo seu Pedro, que na intimidade lhe chamava "fofinha". "Ele está sempre bem-disposto, pode ter o mundo a cair e consegue estar sereno. E eu aprendi isso com ele. Tenho a noção que funcionamos bem como casal. Para além do amor que temos um pelo outro, temos uma cumplicidade grande". "Temos uma relação muito íntima e muito forte", acrescenta o político, que aceitou que a mulher contasse detalhes dos serões românticos dos dois a beber vinho, sentados na mesa da cozinha, a conversar ao som do cantor romântico francês Charles Aznavour.

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A oportunidade de saborear esses momentos de felicidade cessaram quando na madrugada de 25 de fevereiro de 2020, aos 54 anos, no Instituto Português de Oncologia (IPO) em Lisboa, Laura faleceu. O cancro ósseo alastrou-se para os pulmões e escapou às possibilidades de que a ciência dispunha nesse altura para encontrar uma hipótese de cura ou regressão. O então ex-primeiro-ministro ficou de coração partido e a braços com a nova realidade de família monoparental que nunca esperou viver.

pedro passos coelho, laura ferreira, manta rota Foto: cofina media

Nascida em 2008, Júlia tinha 13 anos quando a mãe faleceu e o pai manteve sempre uma postura muito protetora, conciliando a vida docente universitária com a rotina diária de criar a filha adolescente sozinho. Manteve no dedo anelar a aliança de casamento com Laura como sinal de vínculo eterno à falecida mulher e usou, por várias vezes e em variadas ocasiões públicas, a expressão que achava melhor caracterizar o seu estado civil: "Sou pai solteiro involuntário". Apesar de bastante assediado por mulheres, e de lhe serem atribuídos esporadicamente uns alegados relacionamentos amorosos, nunca mais se viu Pedro Passos Coelho com uma namorada.

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O SIGNIFICADO DE CONTINUAR A PASSAR FÉRIAS NA MANTA ROTA

Na mesma conversa com a TV Guia, Passos Coelho reconheceu ainda que a manutenção do local de eleição das férias de verão da família tem mesmo um significado especial. "Venho para a Manta Rota há perto de 17 anos, a minha filha mais nova, a Júlia, devia ter perto de dois anitos, quando veio cá pela primeira vez, agora tem 19. Também era uma bebé na praia", relacionou, referindo-se ao neto Benjamim que se estreou em 2026 nos areais do sotavento algarvio".

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Passos Coelho não quer assumir que as férias na Manta Rota sejam para sempre, mais ou menos ao estilo das expressões "nunca digas nunca" ou "só se Cristo descer à terra", mas reconhece que este local tem memórias e um significado muito especial para si e para toda a família. "Não há nada que seja para sempre. Mas é um sítio de que gosto muito, como se compreende, porque já venho para cá há muitos anos. Estou num ambiente praticamente familiar, com pessoas amigas e isso é sempre um bom ponto de partida para regressar", destacou, confirmando que será sim um local especial para si: "Também estão aqui muitas memórias com a minha mulher. Havia sítios marcantes para nós enquanto casal... mas não quero agora falar disso".

CRITICADO POR DEFENDER O CONCEITO DE FAMÍLIA TRADICIONAL DE DIREITA

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O mesmo homem e chefe de família que todos os anos, desde 2011, arrenda durante uma semana o mesmo rés-do-chão de uma moradia com piscina na rua do Barranco, em Manta Rota, que vai sempre à lota comprar peixe e ao supermercado abastecer-se de tudo o que precisa para cozinhar ele próprio as refeições em casa para a família, foi duramente criticado quando na apresentação do livro 'Identidade e Família', que reuniu 22 textos de personalidades ligadas à Direita mais conservadora e católica, apelando ao regresso dos valores perdidos da "família tradicional", condenando conceitos como a 'ideologia de género', ou aquilo que apelidam de 'cultura da morte', com o debate em redor da eutanásia.

O ex-líder do PSD constatou no seu discurso que "o conceito de família foi evoluindo ao longo do tempo e é a realidade das coisas que se impõe. Isso não significa que não possa haver lugar a uma certa idealização dos conceitos e que não possamos ter um ideal de família", defendendo de seguida os valores mais tradicionais e conservadores de modelo de família. Passos deu como exemplo a sua decisão de não voltar a casar e de enfrentar sozinho a missão de educar Júlia na fase mais desafiante e em pleno choque geracional", como fez questão de reconhecer.

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OS DESAFIOS DE EDUCAR COM VALORES CONSERVADORES UMA FILHA DA 'GERAÇÃO TIK TOK'

Júlia pertence à 'Geração Tik Tok', que aceita de forma natural os novos conceitos de família e de ideologia de género, tem agora 19 anos e colocou na adolescência a parentalidade de Passos Coelho à prova a todos os níveis. Ainda assim, e por maiores que sejam os desafios, o político demonstrou ter os valores em que acredita bem definidos e não teme as vozes críticas que, nas redes sociais, têm apelidado os seus ideais de "ultrapassados, machistas e ultraconservadores."

Apesar de todas as diferenças e do choque geracional, quem priva com Passos Coelho não tem dúvidas de que todo esse mundo que o separa da filha mais nova tem sido colmatado com um afeto "inexcedível" e um amor que sempre demonstra quando o assunto é a sua família. Desde que se despediu do cargo de primeiro-ministro que Pedro Passos Coelho decidiu também afastar-se da cena política, o que coincidiu com a fase mais difícil da sua vida, em que perdeu em catadupa vários pilares importantes na sua vida, como a mãe, o irmão mais velho e, principalmente, a mulher. O caso de Laura comoveu o País porque, ao longo de cinco anos, todos acompanharam o percurso da fisioterapeuta na luta contra a doença, sempre determinada e de sorriso no rosto, e a forma como o político a amparava no seu período mais doloroso. A história de resiliência suscitou ternura e o final trágico foi o desfecho que ninguém esperava.

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Ainda assim, não virou costas às dificuldades e quem o conhece afirma que tudo fez para que Júlia sentisse o mínimo possível (ou não mais do que aquilo que teria de sentir) a falta de Laura. A família uniu-se ainda mais e neste processo Pedro Passos Coelho contou com o apoio das suas filhas mais velhas, Joana e Catarina, bem como da enteada, Teresa, com quem mantém uma excelente relação.

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