As mais dolorosas recordações de David Motta: "A cada visita ficava uma semana de cama, doente, com dores no corpo, com dores de cabeça…"
O comentador do programa 'Passadeira Vermelha' da SIC Caras não consegue apagar os 17 anos em que teve a mãe encarcerada por homicídio qualificado do marido. Por mais que hoje tenha uma vida estabilizada e tranquila, David Motta não esquece a pior fase da sua vida.Filho da conhecida socialite Maria das Dores, história de David Motta fica para sempre marcada pelo ano de 2007, quando a mãe encomendou a morte do marido. Apesar do crime hediondo, nunca virou as costas à progenitora. Essa foi, certamente, a pior fase da sua vida. Tinha 19 anos e viu a sua mãe ser presa no estabelecimento prisional de Tires. Ficou desamparado. Perdido. Mas arregaçou as mangas. Reconstruiu-se e foi à luta.
Hoje, o stylist deixou de ser falado só por ser "filho de Maria das Dores". Como comentador do programa 'Passadeira Vermelha', na SIC Caras, David Motta tem granjeado um reconhecimento crescente pelo a forma educada e ponderada como comenta a "vida dos famosos".
Só que apesar da fase boa que está a viver, nada consegue apagar os tempos difíceis durante os 17 anos em que a mãe esteve encarcerada. Em entrevista ao site 'Fama Show', David Motta volta a recordar essa fase da sua vida em que vivia em Londres, Inglaterra, e vinha a Portugal para visitar Maria das Dores: "Vinha no verão e visitava a minha mãe, que esteve presa 17 anos e tal. Eu não passei 17 anos e tal a ir vê-la duas vezes por semana. Falávamos por carta, falávamos ao telefone, visitei-a muitas vezes, claro, e foi sempre muito duro", assume.
"A cada visita que eu fazia, eu ficava uma semana de cama, doente, com dores no corpo, com dores de cabeça…", recorda o comentador do magazine social da SIC Caras. "Também era pela razão óbvia de ter a minha mãe ali ou da minha mãe estar ali e esse sofrimento, mas era acima de tudo por ser sensível aos ambientes e àquilo que me rodeia e de ter percebido muito rapidamente, ou da minha análise, de ter sentido muito rapidamente nas primeiras visitas que eu estava debaixo de um teto ou de tetos ou num espaço que reunia as piores emoções do mundo", recorda ao referido site.
E acrescenta: "Sentia que ninguém queria estar ali. Os guardas não querem estar ali, os presos não querem estar ali, as visitas não querem estar ali. Ali há raiva, mágoa, arrependimento – arrependimento não é a pior emoção do mundo – mas são emoções muito conflituosas e isso na frequência em que as pessoas vibram, seja lá isso que for, que, para mim é claro, para as pessoas que me estão a ler pode não ser, isso causa uma interferência nessa frequência tão grande, que depois as pessoas andam ali e não estão em paz".
Dessas visitas à prisão ainda lembra: "Há desconfiança, há mentira, há ódio, há raiva, há arrependimento, há mágoa, há tristeza, há filhos a crescerem com mães lá, há mulheres grávidas a terem os bebés lá. É tudo muito duro, é muito pesado e, portanto, a sensação de ver uma mãe na prisão é também a sensação de visitar uma prisão."