Não está fácil! Após citar Jorge Palma com Sérgio Godinho, Carlos Moedas volta a ser corrigido por causa de placa de rua
Depois do autarca lisboeta ter sido acusado de associar uma canção de Sérgio Godinho a Jorge Palma - levando à especulação de que terá usado IA para escrever o seu texto de homenagem - Moedas vê-se agora numa nova polémica a propósito da inauguração de uma placa de rua da bailarina e coreógrafa Pina Bausch.Não tem sido um mês fácil para Carlos Moedas, que está metido numa nova 'alhada'.
Primeiro, foram as polémicas declarações sobre o sistema Volta. Ao defender o seu fim, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa achou por bem dizer aos jornalistas que o grande problema era que agora viam-se pessoas à procura de garrafas no lixo, sendo acusado, especialmente nas redes sociais, de "insensibilidade".
"É um drama social nunca visto em Lisboa, que cria uma pressão enorme na higiene urbana, que suja a cidade”, disse Carlos Moedas, acrescentando: "Há pessoas a entrar dentro dos caixotes do lixo".
Rui Tavares Guedes, diretor da 'Visão', reagiu: "A pobreza não voltou por causa do Volta – apenas tornou mais visível o drama social que, pelos vistos, Moedas desconhecia que existia na cidade que governa".
Dias depois, foi alvo de chacota por causa da publicação que escreveu em homenagem a Jorge Palma nas redes sociais. O autarca, de 56 anos, atribuiu a música 'Primeiro Dia' - que é da autoria de Sérgio Godinho - ao artista que morreu na segunda-feira.
Por causa disso, surgiu a suspeita de que o texto foi escrito com recurso a Inteligência Artificial. Isto porque, além deste erro - algo comum no ChatGPT e daí o alerta de que não se deve confiar cegamente nestas ferramentas - o texto inclui a utilização exagerada de metáforas e adjetivos, que é um estilo de escrita muito associada a IA. Não esquecendo, claro, o uso dos travessões compridos, o sinal mais característico da IA generativa.
Perante os comentários, Moedas tentou justificar-se: "Sei bem que o "Primeiro Dia” nasceu da escrita genial do seu eterno companheiro Sérgio Godinho. Mas quem acompanhou a vida e obra de Jorge Palma sabe que o “Primeiro Dia” foi também um território de partilha inesquecível entre os dois. No histórico projeto “Juntos” e nos palcos que dividiram pelo país, o Jorge deu voz e corpo a este tema. Usar esta expressão na nossa despedida não é um engano: é evocar a enorme cumplicidade que os unia e assinalar que hoje, no primeiro dia da sua ausência física, o legado de Jorge Palma começa a desenhar o resto da nossa vida cultural. Obrigado por tudo, Jorge!".
E, como se não bastasse, surgiu agora uma nova polémica com a inauguração de uma placa de rua, no Lumiar, com o nome de Pina Bausch. Na placa, a artista alemã surge descrita como dançarina e não bailarina, uma diferenciação importante na área do bailado.
Bruno Cochat, conhecido bailarino, coreógrafo, professor de Expressão Dramática do Conservatório Nacional e assessor da direção daquela escola, foi das primeiras pessoas a apontar o erro nas redes sociais.
"Que a Pina merece uma rua com o seu nome (no Lumiar!?) não duvido. Até um bairro, uma sala de espetáculos e/ou um prémio. O que não merece é ser chamada (e gravado na pedra) de "Dançarina"! Eu sei que é confuso, em português, os bailarinos dançam e os dançarinos bailam mas, na dúvida, era só perguntar... Até dói!", escreveu.
Na publicação das imagens da placa, no Facebook da CM de Lisboa, as críticas multiplicaram-se.
Curiosamente, a Autarquia de Moedas reconheceu o erro, respondendo: "Foi detectado um erro na designação constante da proposta aprovada em reunião de Câmara relativa à Rua Pina Bausch, que não correspondia à formulação previamente aprovada pela Comissão Municipal de Toponímia. Esse lapso reflectiu-se na placa entretanto colocada. A Câmara Municipal de Lisboa assume o erro e procederá à sua correcção com a maior brevidade, passando a constar “Bailarina e Coreógrafa”.
Embora não tenha estado presente, o processo terá passado por Carlos Moedas, a figura maior da Câmara Municipal de Lisboa. "O presidente da CML podia ter consultado o Chatgpt", brincou um seguidor.