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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

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A Missão

Os fogos podem nascer de muitas falhas... Mas o jornalismo não falhará.
26 de setembro de 2024 às 16:49
Incêndios
Incêndios Foto: dr

Afoto que acompanha este texto é do repórter de imagem José Luís Figueiredo. Na semana passada, ele percorreu mais de 20 quilómetros a pé, em apenas 3 dias, sempre com a câmara ao ombro. O seu trabalho contribuiu para mostrar ao País o sofrimento das populações castigadas pelos fogos de Penalva do Castelo, de Castro Daire e de S. Pedro do Sul, local, aliás, onde o fotógrafo o surpreendeu num dos raros momentos de pausa, que ele aproveitou para se libertar por instantes do peso da máquina, respirar um pouco melhor, e recuperar forças para continuar a cumprir a sua missão.

O José Luís Figueiredo trabalha na CMTV, mas histórias de abnegação como a dele há muitas outras na sua empresa, a Medialivre, proprietária também desta revista, e eventualmente, também, noutros canais de televisão portugueses.

Cobrir um incêndio é dos trabalhos jornalísticos mais duros e perigosos. Implica um verdadeiro sacrifício físico e psicológico, devido ao contacto com o calor abrasador das chamas, com o ar irrespirável saturado de fumo. Implica acompanhar os bombeiros que sofrem com a impotência da ação humana, e sobretudo estar ao lado das populações, sofrer ao seu lado, homens e mulheres que são as verdadeiras vítimas desta tragédia.

Não obstante, muitos jornalistas cumprem a sua missão de serviço público e vão para a frente do fogo, reportando o evoluir dos incêndios sem um momento de paragem, desalento ou descontração, porque nestes momentos de inferno são mais necessárias que nunca as informações exatas. Não os devemos chamar de heróis, porque eles não gostam de ser notícia. Mas talvez seja desumano ainda terem de apanhar com censores, pseudo repórteres de bancada, protofascistas e divas da cultura de pacotilha.

Na foto do José Luís quero homenagear todos esses profissionais, que escolhem o jornalismo na verdadeira aceção da palavra, a missão de informar, mesmo em condições infernais. Os fogos podem nascer de muitas falhas, na prevenção, no ordenamento do território, no combate. Mas o jornalismo não falhará. Sempre ao lado das populações. l

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