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Claro que CR7 teria preferido ser recebido em festa, no aeroporto de Lisboa, na passada segunda-feira, em vez de estar a fazer testes médicos e a dar uma conferência de imprensa em Turim. Era o dia a seguir à final do Mundial, e, mais ou menos à mesma hora, a seleçcão francesa era idolatrada em Paris, ao exibir a taça de campeã do mundo perante uma multidão imensa. Tivesse sido outro o desfecho do torneio na Rússia para a selecção portuguesa e aquela conferência de imprensa não teria existido naquele dia, àquela hora, naquela cidade.
Mas a vida é o que é, e, na verdade, só mesmo CR7 conseguiria desviar as atenções do mundo do futebol num dia daqueles, em que se consagrava a nova bi-campeã mundial. O dia da inauguração de Ronaldo na Juventus foi uma espécie de tomada de posse do novo cargo do português: o cargo de estrela máxima do futebol em Itália, portador dos sonhos de um clube que quer ser o melhor da Europa e que encontrou em CR7 o caminho para a glória.
É significativo que tamanha dimensão planetária dependa, hoje em dia, quase tanto das redes sociais quanto da televisão propriamente dita. É como se a multiplicidade de mensagens proporcionada pelo caos das redes sociais possibilitasse à televisão voltar aos valores básicos e elementares, como a simplicidade de uma conferência de imprensa transmitida em directo para todo o mundo, e em que Ronaldo mostrou, também, que está cada vez mais confortável na sua próxima dimensão: a de comunicador global e embaixador, como ex-jogador, das maravilhas do futebol.
O show do vídeo-árbitro
Nada melhor para assinalar o triunfo do VAR: a final do campeonato do mundo teve um penálti assinalado depois da famosa consulta dos monitores. A transformação do vídeo-árbitro em mais um elemento do espectáculo televisivo deve ser adaptada para Portugal, e vai enriquecer o futebol.
Mundial na SIC NotíciasSe a RTP1 foi a vencedora do mundial, a grande derrotada foi a SIC Notícias, que sai do torneio em grandes dificuldades. Maus programas, em horários desadequados, fizeram de uma arma poderosa como o futebol uma carga de trabalhos para o canal. Um equívoco que chega ao fim.
Um passo à frente da históriaSão poucos segundos vistos com o sentimento de vergonha alheia, próprio das cenas embaraçosas. Um americano com ar grave passa à frente de uma senhora com ar frágil, mas cujo porte denota distinção e autoridade. Trump e a rainha de Inglaterra passam revista às tropas, Trump passa à frente da rainha, pára à sua frente, e ela, agastada, dá a volta e tenta prosseguir o protocolo. Visto em directo pelo mundo, a cena tem o sortilégio, só possível na televisão, de destapar, num simples segundo, todo o problema existencial do poder americano do presente.
Uma das imagens do anoQuando a comunicação oficial diz que os movimentos desconexos do líder da Comissão Europeia, testemunhados por todo o mundo, se trataram de mera "crise de ciática", estamos perante a consagração do simulacro como política comunicacional oficial da União. Eis a metáfora perfeita do estado da construção europeia. Seja como for, é já uma das imagens do ano, pela qualidade da informação que revela.