O mês de todas as tormentas. Viúva de Diogo Jota prepara momento de duras emoções em família
Está prestes a assinalar-se um ano desde que a vida como Rute Cardoso a conhecia ruiu. 11 dias separaram o casamento de sonho da tragédia que deixaria um profundo vazio na vida da família, em emoções que a viúva se prepara para reviver nas bonitas, mas também dolorosas homenagens que tem pela frente.Há precisamente um ano, Rute Cardoso vivia na doce leveza de quem ignora que sobre si está prestes a abater-se uma desgraça. Ultimava o casamento com o seu grande amor, Diogo Jota, e, na azáfama dos preparativos, e os cuidados com os três filhos, uma delas ainda bebé, não havia tempos vazios. Havia, sim, um mundo de expectativas e o dia da cerimónia, a 22 de junho, confirmou os sonhos do casal: tinha sido tudo como imaginaram.
No entanto, Rute mal teria tempo para saborear essa felicidade plena e, na maior das ironias do destino, perderia Jota 11 dias depois de consumado no papel este grande amor. Antes da tragédia, desfrutaram de uma noite de cinema e jantaram nas margens do Douro, numa roulote, ao lado de amigos. Programas simples que, apesar do tanto que a vida mudou em termos financeiros, continuavam a privilegiar "Era noite de amigos, de tradições, de coisas simples, das coisas que, entre amigos, na verdade, nunca mudam, das que nunca são atrapalhadas pela fama, pela visibilidade. Os amigos constituem sempre o centro. São o sítio, a casa", é relatado no livro de José Manuel Delgado 'Diogo Jota - Nunca Mais é Muito Tempo', onde Rute explica também como foram as horas trágicas em que percebeu que a sua vida nunca mais seria a mesma.
Já tinha enviado mensagens ao marido. “Amor, quando parares, liga-me, que eu tenho aqui uma coisa para te mostrar.” Ao não obter resposta, acabaria por enviar uma segunda que dizia apenas: "Vai com Deus."
Foi a ausência de uma resposta que começou a deixar Rute alerta, numa sensação que crescia à medida que as horas passavam. Em conjunto com a família começou, então, a ligar para hospitais, para o hotel onde Jota e o irmão eram suposto pernoitar mas nunca fizeram check-in, até que a confirmação da desgraça acabaria por surgir quando o tio de Rute entrou em contacto com a polícia espanhola.
"Ouvi o meu tio dizer: 'Sim, são dois irmãos'. Era a certeza, forte e dura de que algo havia acontecido. De repente, o meu tio pediu-me que lhe passasse o Nuno, o meu cunhado. Ouvi o meu tio dizer-lhe: 'Os corpos estão a ser levados'. Acho que ele acrescentou 'para a morgue', mas a minha cabeça parou ali. 'Corpos?'"
A confirmação chegaria pouco tempo depois, tendo sido comunicada por um polícia espanhol, que leu a declaração formalmente. "Declaro o óbito de Diogo José Teixeira da Silva, nascido em 4 de dezembro de 1996".
Nos dias seguintes, Rute apenas existiu, apesar de o chão lhe ter sido roubado. Com a ajuda da família, suportaria as horas de vazio, a dor das cerimónias fúnebres, as perguntas dos filhos, as questões a tratar, as decisões que havia para tomar.
Acabaria por deixar Liverpool, mudando-se para a casa da irmã, em Gondomar, o seu pilar para conseguir enfrentar a vida sem Diogo Jota. Com o decorrer dos meses, agarrou-se à fé, aos filhos, a sua enorme força, e ao desporto como superação, mas também às homenagens do marido como uma renovada missão de vida, até que, sem saber muito bem como, os dias foram passando até se aproximar de uma data que acarreta muita dor: no dia 3 de julho assinala-se um ano desde que o Lamborghini em que o craque da Seleção seguia sofreria um despiste fatal, ceifando a vida ao futebolista e ao irmão, André Silva.
UM ANO SEM O SEU GRANDE AMOR
Se é certo que cada vez mais temos visto Rute Cardoso a sorrir, a verdade é que está prestes a assinalar-se um ano da sequência de acontecimentos mais dura da sua vida, uma montanha russa em loop: primeiro o casamento, depois a tragédia. Uma data que ficará marcada por muitas homenagens que, ao mesmo tempo que aquecerão o coração da viúva, também a farão, de alguma maneira, reviver o pesadelo.
Em Liverpool serão certamente preparados tributos ao jogador, assim como na Seleção, com o Mundial que se assinala sem Jota a deixar um vazio em todos os craques, com especial destaque para Rúben Neves, o seu melhor amigo, que imortalizará o número 21.
Emoções que Rute enfrentará, como sempre, com o apoio dos seus, aqueles que ao longo do último ano foram o suporte para que se conseguisse reerguer e recuperar o sorriso que precisava para criar os filhos em harmonia.