O martírio de Letizia na Zarzuela! Como a rainha foi obrigada a transformar-se para sobreviver na família real
A entrada de Letizia na família real espanhola esteve longe de ser um conto de fadas. A jornalista Pilar Eyre descreve um período em que a então princesa das Astúrias se sentiu profundamente infeliz e teve de aprender a defender-se num ambiente que, segundo a autora, não lhe facilitou a vida.Letizia Ortiz entrou para a família real de Espanha, mas não tinha sangue azul. Vinha do mundo do jornalismo e da vida comum, mas entrou numa instituição com regras próprias, rivalidades antigas e equilíbrios difíceis de contrariar. Em entrevista ao 'El Periódico', a propósito do livro 'Sucesión', Pilar Eyre descreveu esse ambiente como uma "covil de lobos".
"Não teve outra alternativa senão transformar-se também numa loba e aprender a usar essas armas", explicou a escritora e especialista em assuntos da realeza espanhola. Durante muito tempo, acrescentou, Letizia foi muito infeliz no seio da família real. Chamavam-lhe "a princesa triste", uma alcunha que ajuda a perceber o lado menos visível dos primeiros anos da sua vida na Zarzuela.
Segundo Pilar Eyre, quem mais dificuldades lhe criou foi o sogro, Juan Carlos I. O rei emérito terá chegado a dizer a Felipe VI que devia divorciar-se da mulher. A autora recordou ainda um episódio em Palma, depois do qual Juan Carlos terá exigido que a situação fosse resolvida de uma vez por todas. Para Eyre, a mensagem era clara: queria que o casamento chegasse ao fim.
A desconfiança do antigo monarca em relação à nora também tinha, segundo a jornalista, uma explicação particular. Letizia era jornalista e Juan Carlos receava que pudesse revelar aquilo que se passava dentro da família. Pilar Eyre voltou ao tema numa entrevista ao programa 'El Intermedio', emitida esta sexta-feira, 16 de outubro, afirmando que o rei emérito atribuía à rainha todo o tipo de conspirações e responsabilizava-a por problemas que, na sua perspetiva, também envolviam o próprio filho.
A presença de Letizia à mesa terá sido outro motivo de irritação. De acordo com a autora, a então princesa falava muito durante os jantares, ao ponto de Juan Carlos brincar que só se falava o "idioma Letizio". Uma observação que, na leitura da jornalista, traduzia o incómodo que a nora lhe provocava.
A relação com a rainha Sofía também foi marcada por choques. No livro, Pilar Eyre relata um episódio em que a mãe de Felipe VI terá tentado levar brinquedos às netas, Leonor e Sofía, mas foi impedida de entrar por não constar da lista de visitantes. Um pormenor que ilustra, segundo a jornalista, a dimensão dos conflitos familiares por detrás da imagem pública da monarquia.
Hoje, a leitura de Pilar Eyre é diferente. A autora considera que Letizia acabou por assumir o seu papel, se concentrou na educação das filhas e construiu o seu próprio espaço dentro da instituição. As críticas continuam a existir, mas, acredita a escritora, parecem já não afetar a rainha da mesma forma.
Em 'Sucesión', Pilar Eyre revisita duas décadas de tensões, alianças e conflitos na família real espanhola. No retrato que faz de Letizia, a transformação foi essencial para resistir a um ambiente em que, desde o início, nem todos estavam dispostos a recebê-la de braços abertos.