O mistério em torno da morte do sobrinho neto da rainha Sofia, aos 44 anos
Nicholas Brandram tirou a própria vida depois de ter visto o seu nome associado a caso polémico, que ficou conhecido como 'Putney Pusher'. Estava acusado de ter tentado atirar uma mulher para debaixo de um autocarro.O mistério em torno da morte de Nicholas Brandram, sobrinho-neto da rainha Sofia e primo em segundo grau do rei Felipe VI, encontrado morto, aos 44 anos, no passado dia 15 de setembro, na sua residência em Chiswick, no oeste de Londres, conhece agora novos desenvolvimentos, depois de as irmãs terem vindo a público falar de um assunto particularmente delicado e que, segundo as próprias, fez com que o irmão mergulhasse numa espiral de depressão, que o terá levado a tirar a própria vida.
Para entendermos o que está em causa temos de recuar até 2017, quando um acontecimento ficou conhecido como o 'Caso Putney Pusher'. A 5 de maio, uma câmara de vigilância captou o momento em que um homem que fazia jogging pela Putney Bridge - uma ponte sobre o Rio Tamisa, em Londres - e empurrou uma mulher de 33 anos para a estrada, precisamente quando um autocarro se aproximava.
O motorista conseguiu desviar-se e evitar o atropelamento. A mulher sofreu apenas ferimentos ligeiros, mas as imagens do incidente foram divulgadas internacionalmente e deram origem a uma extensa investigação para tentar identificar o homem que corria naquele momento e empurrou a mulher
Durante a primeira fase da investigação, as autoridades analisaram mais de 50 possíveis suspeitos e efetuaram várias detenções. No entanto, ninguém chegou a ser formalmente acusado. Em 2018, a polícia considerou esgotadas as principais linhas de investigação.
O processo acabou por ser reaberto, no entanto, este ano, depois de uma pessoa ter contactado as autoridades, em abril, com informações que relacionavam Nicholas Brandram com o caso. Dois meses mais tarde, o banqueiro foi detido sob suspeita de ter provocado intencionalmente lesões graves à mulher. Brandram acabou por ser libertado enquanto a investigação prosseguia, uma vez que não existiam elementos suficientes para provar que era ele o homem que aparecia nas imagens.
Família revoltada com acusação
Depois da morte do banqueiro, sobrinho-neto da rainha Sofia, as irmãs vieram agora a público tecer graves acusações à investigação, que acusam de ter sido irresponsável. Alexia Hicks e Sophie Voelcker falaram ao programa Today, da BBC Radio 4, onde criticaram a decisão de investigar o irmão, uma vez que não há nada de concreto, para além de uma denúncia, a ligá-lo ao caso.
"Há nove anos e meio, quando o incidente aconteceu, não havia absolutamente nada que ligasse o nosso irmão ao ataque", afirmaram, acrescentando que uma informação "incorreta ou mal-intencionada" o atirou para o centro da polémica e que, apesar da forma como o irmão se dispôs a colaborar com as autoridades, a demora na investigação acabou por o atirar para um estado depressivo grave.
Segundo as próprias, as diferenças físicas entre o homem avistado na câmara e o irmão eram evidentes, além de que este residia em Nothing Hill, não fazendo esta área de Londres parte das suas rotinas. As irmãs criticaram ainda o facto de a amostra de ADN entregue pelo banqueiro às autoridades, alegadamente, não ter sido ainda analisada, fazendo arrastar o caso.
A Polícia Metropolitana explicou, por sua vez, que ainda havia várias diligências em curso, incluindo investigações e exames forenses que precisavam de ser concluídos. As autoridades defenderam também que a detenção foi considerada necessária para permitir a apreensão e análise dos dispositivos eletrónicos de Nicholas. O caso continua, no entanto, por esclarecer.