Foi a 16 de novembro que se deram por terminadas as buscas por Carolina Torres, ou Noori - nome que adotou e pelo qual gostava de ser tratada -, de 18 anos. A jovem de Almada, que desapareceu no dia 9 de outubro e que nunca mais foi vista por familiares e amigos, afinal, estava morta.
O seu corpo foi encontrado na praia de Leirosa, na Figueira da Foz, por populares que naquele domingo de manhã passeavam pela zona. O elevado estado de decomposição do cadáver não permitiu uma identificação imediata. Os restos mortais tiveram de ser analisados pelas autoridades competentes para que se chegasse à conclusão de que, efetivamente, se tratava de Noori, a rapariga de cabelo azul pela qual um país inteiro procurava.
Só que três meses após o trágico desfecho continuam em abertos muitas questões: Como é que Carolina Torres foi da Praça São João Batista, em Almada, [o local onde foi vista pela última vez] até à Figueira da Foz sem que ninguém a tivesse visto nesse percurso de quase 200 quilómetros? Como é que foi? Quem a levou? Como morreu?
Sabe-se agora que as autoridades ainda não deram o caso por encerrado. O Ministério Público continua a não dar a devida autorização para a cremação do cadáver e a Polícia Judiciária mantém as investigações em aberto. Também os pais de Carolina Torres continuam a levantar algumas questões: "Tudo aquilo que aconteceu durante o desaparecimento dela é tudo muito estranho", começou por dizer a mãe, Cristiana Gaspar em declarações recentes à SIC Notícias.
"No dia 14 também aparece um cartão multibanco dela numa escola do Laranjeiro - ela nem se quer frequentava aquela escola, mas era frequentada por uma amiga dela. Ela encontrou-o nos 'perdidos e achados' daquela escola. Passados dois dias aparece outro cartão multibanco, um Revolut dela, também perto dessa escola... A mala dela com os documentos aparece já quase um mês depois nesse parque onde ela ficava", revelou a mãe de Noori.
Já o pai, Sérgio Torres, também realça certos aspetos que não foram clarificados: "A meu ver, a primeira coisa a fazer pela Polícia Judiciária era extratos bancários. Se o fizeram, pelo menos a nós não nos disseram. Só ficámos a saber do extrato bancário da Carolina um mês e uma semana depois. (...) Há um movimento dia 10, no dia posterior ao desaparecimento, com o nome do local, em frente à escola. (...) A última mensagem que a Carolina enviou foi às 18h59, teoricamente ali em baixo na estação Gil Vicente, e o miúdo para quem ela enviou a mensagem respondeu-lhe sete minutos depois", esclareceu.
E lamenta que a não se tivesse investigado de forma mais aprofundada: "Faz-me confusão porque é que a Carolina não respondeu. Só se a Carolina mandou mensagem e se foi logo embora, foi direita lá abaixo e se atirou. Como é que era possível saber? A seguir ao dia do desaparecimento aqui, tivessem levado o caso a sério e fossem ver a quantidade de câmaras que há até chegar a Cacilhas."