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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

Notícia

2 políticos, 3 jornalistas

Numa originalidade portuguesa, o duelo entre Costa e Rio teve mais moderadores que candidatos a primeiro-ministro. Resultado: um pequeno caos que em nada ajudou nem os políticos, nem os eleitores.
debate, eleições, clara de sousa, maria flor pedroso, josé alberto carvalho, rui rio, antónio costa
debate, eleições, clara de sousa, maria flor pedroso, josé alberto carvalho, rui rio, antónio costa Foto: Tiago Sousa Dias

Rui Rio pode bem dizer, como o rei Pirro no final de uma batalha que ganhou à custa de inúmeras mortes: "Mais uma vitória como esta e estou perdido." Foi o pensamento que me ocorreu no final do debate que opôs o líder do PSD ao primeiro-ministro, segunda-feira passada, e que Rio venceu com grande margem, para surpresa geral, sobretudo dos seus apoiantes.

A vitória neste debate é uma vitória de Pirro, porque pouco ou nada influenciará o resultado das eleições. Pelo contrário: ao aumentar a impressão de que o PS ainda não ganhou, provocará o "toque a reunir" das hostes socialistas. Os apoiantes de Costa sabem agora que não se devem fiar nas sondagens, e devem correr às urnas. Rio poderá, então, vangloriar-se de um feito duvidoso: ganhou as eleições no PSD após a maior derrota da sua vida em debates, contra Santana Lopes, e perdeu as eleições no País após a maior vitória da sua vida num debate, contra António Costa.

O modelo televisivo não ajudou nenhum dos candidatos, nem o pretendido esclarecimento público: três jornalistas, provenientes de três estações distintas, e com estilos diferentes, a orientarem o mesmo debate, provocaria, previsivelmente, uma dispersão de temas e o tratamento de todas as questões pela rama, porque o formato se sobreporia, em qualquer circunstância, ao conteúdo.

Ou seja, os três jornalistas teriam de falar por igual. Se era previsível a dispersão, no final acabou por acontecer pior. Um pequeno caos, com pouquíssimos momentos de confronto esclarecedor entre quem era o sujeito e o objeto do programa: os candidatos, e não os jornalistas. Poderá concluir-se que, finalmente, estas eleições fizeram história em Portugal: um debate eleitoral decisivo teve mais moderadores que políticos. Uma originalidade!

A PIOR ESTREIA

É oficial – a ficção da TVI está em crise. A entrada em Na Corda Bamba de Lucélia Santos, a brasileira Isaura, coincide com a pior estreia da década. As novelas da TVI foram construídas numa lógica nacional, anti-brasileira. Envolver Lucélia Santos é trair, de alguma forma, os fundamentos do projeto de ficção nacional do canal.

GOUCHA RESISTE

A fragilidade já aqui apontada ao formato da SIC, Esta Mensagem..., que é o apresentador, Raminhos, está a dar uma lufada de esperança ao MasterChef, que, com pequenas mexidas e acréscimo de energia, começou a dar luta no seu horário, e já lidera nalguns blocos. A SIC tem ali um problema que vai ter de resolver rapidamente, sob pena de abrir brecha grave.

TAMBÉM TU, RAP

Voltou o formato de Ricardo Araújo Pereira à TVI. É do melhor que a televisão portuguesa tem, e ajudou a levar os debates eleitorais a mais público. De antologia, o momento de Rui Rio sobre a compra de uma caldeira nova lá para casa. De génio puro, o "tolígrafo", que finalmente caracteriza com propriedade momentos em que jornalistas têm procurado fazer do essencial do seu trabalho uma espécie de marketing da mentira. Problema: no arrastão da TVI, RAP também perdeu na estreia, domingo passado. Uma surpresa. Nada escapa a este vendaval. 

CR7 CHORA PARA O MUNDO

Recorro ao título do 'CM' para descodificar o impacto global da entrevista de Ronaldo a Piers Morgan, da ITV, estação privada britânica. Imagens únicas que dão a Volta ao globo, e que farão parte, seguramente, de todas as biografias que vierem a ser feitas do melhor jogador do mundo nas próximas décadas. Quando as imagens televisivas namoram com a perenidade – eis a qualidade superlativa em televisão.

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