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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

Notícia

Herman José renascido

O “verdadeiro artista” foi ao got talent, da RTP1. Os portugueses conhecem-no há décadas. Um conjunto inigualável de talentos, quase ao estilo renascentista, faz dele o apresentador mais completo. Agora, está em crescendo outra vez.
04 de maio de 2018 às 11:07
Herman José, Aniversário RTP, Cá Por Casa
Herman José, Aniversário RTP, Cá Por Casa Foto: Ivo Rainho Pereira

Na primeira gala em direto de 'Got Talent' apareceu o reforço Herman José no júri do programa. O resultado do "melhor concurso de talentos do mundo", como lhe chamam os apresentadores, é muito animador para a depauperada RTP, que promete ser a principal concorrente da 'Casa' de Goucha, nos domingos à noite, algo absolutamente devastador para o amor-próprio da SIC.

O sucesso de 'Got Talent' pouco tem a ver com a participação de Herman, mas a presença do "verdadeiro artista", como antigamente era conhecido, dá logo outra dimensão a qualquer espectáculo televisivo em que participe. Herman já esteve acabado tantas vezes quantas aquelas em que conseguiu renascer. Estrela maior no final do monopólio da RTP, conseguiu reinventar-se para a televisão privada, e inaugurou uma indústria de criação de talento ao seu redor. Foi assim que medrou o que veio a ser o projecto "gatos fedorentos", e também as Produções Fictícias, na sua fase inicial e criativa.

O ocaso chegou com estrondo devido a algumas polémicas judiciais, mas sobretudo por culpa do colapso do modelo clássico – e dispendioso – com que fez televisão durante anos, colapso esse que quase lhe arruinou o estatuto. Mas o conjunto inigualável de talentos de que dispõe faz dele um génio em frente ao ecrã, o único profissional ao estilo renascentista da televisão portuguesa.

Por isso, enquanto todos os outros caíram no esquecimento ou na inactividade, Herman está a terminar mais uma travessia do deserto, nesta "pequena" RTP do presente, e prepara-se para sobreviver de novo. Os espectadores agradecem.                               

SIC EM MÍNIMOS HISTÓRICOS

Domingo já era dia de horror para a RTP1. Agora é a SIC a bater no fundo, com um share diário de 13,2%, pouco melhor que os 11,2% do canal do Estado. A TVI plana acima dos 20%, a caminho de ter tanta audiência como o conjunto dos seus dois concorrentes. Em Carnaxide, insistir em más apostas só podia dar este resultado.

TÉNIS NA TVI24

Queluz de Baixo continua a fazer apostas absurdas para o canal antigamente conhecido como o canal de notícias da TVI. O ténis, modalidade cujo impacto está reservado a canais temáticos, tomou conta da antena ao longo da semana. Os investimentos absurdos e ruinosos, pelo menos em termos de audiências, continuam a colocar em risco a filosofia da estação.

UMA CIDADE EUFÓRICA

Muitos portuenses que gostam de futebol e que amam o principal clube da cidade juntaram-se no aeroporto à espera dos jogadores depois da vitória na Madeira. Foi o ensaio geral para a grande celebração deste fim-de-semana. O título de campeão do FC Porto, este ano, além de significar a travagem do grande rival benfiquista, tem, também, uma leitura política, porque Pinto da Costa voltará à câmara da cidade, após o exílio a que foi votado pelo ex-autarca Rui Rio. A festa será, ainda, um desafio às TV, após 4 anos de celebrações em Lisboa.

HENRIQUE GARCIA

A saída de Henrique Garcia justifica uma homenagem. Henrique Garcia mudou-se da RTP para a TVI na era-Moniz, e isso, creio, penalizou-o, mais tarde, na empresa. Foi um dos meus primeiros chefes, no 'Jornal de Sábado' da RTP, nos anos 90. O Henrique foi sempre um pivô de palavra tranquila, que, para o bem e para o mal, tudo fez para evitar os registos mais histriónicos da TV moderna. Isso faz dele uma voz inimitável.

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