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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

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Deixem a Liga em paz

Reduzir o campeonato é um erro, destrói valor, vai provocar a quebra de receita televisiva e não traz ganho que se veja, porque seguramente continuará a haver os mesmos três candidatos ao título.
18 de abril de 2021 às 18:03
Pedro Proença
Pedro Proença

O futebol conseguiu sobreviver à pandemia. Não é certo que consiga resistir aos planos de redução do número de clubes na I Liga. Há um ano, a falta de público fez temer o pior. Porém, o recomeço das partidas manteve o auditório agarrado ao jogo. No caminho, ainda foi preciso resolver o problema televisivo dos estádios vazios. Os realizadores tiveram de inventar soluções para os tempos mortos.

Nasceu aí a sensação de indisciplina dos treinadores. Os bancos de suplentes aparecem mais vezes nos diretos. O que lá se passa fica mais exposto. Entre nós, a I Liga foi, durante meses, a única indústria de diversão a funcionar. E bem pujante, como prova a subida do futebol português no ranking europeu. Aqui chegados, causa enorme perplexidade a proposta de redução das equipas no campeonato, ainda por cima quando é feita pela instituição que representa os clubes, ou seja, as entidades patronais.

Reduzir o campeonato é um erro, destrói valor, vai provocar a quebra de receita televisiva e não traz ganho que se veja, porque seguramente continuará a haver os mesmos três candidatos ao título. Quando as operadoras fizerem contas à vida, esperemos que a ideia morra de imediato, porque menos jogos significa naturalmente menos dinheiro. Para trás ficará unicamente a ideia de profunda irresponsabilidade da Liga de Clubes, capaz de fazer uma proposta destas numa altura em que o futebol português ainda não se salvou da ameaça de falência trazida pela Covid-19.

Deixem a Liga em paz. Se não for para alterar profundamente o quadro competitivo, mantenham 18 clubes, 34 semanas de espetáculo. Menos do que isso é encolher o futebol.

SERVIÇO PÚBLICO

Marques Mendes resiste no horário mais difícil dos domingos à noite, a hora dos jornais, com uma voz própria cada vez mais diferenciada. A forma como explicou os erros, as falhas e as perplexidades da decisão instrutória da Operação Marquês foi autêntico serviço público. A frase-chave sobre o juiz Ivo Rosa, "este homem é um perigo à solta", ficará a ressoar pelo espaço público.

Em contraponto, no mesmo horário, a forma como Paulo Portas, na TVI, passou de raspão pelo tema volta a provar que a diferença entre os dois não é apenas na forma, é também na riqueza dos conteúdos. Os comentários de domingo, desde os tempos de Marcelo, servem para dar pistas de reflexão sobre os temas que mais preocupam a comunidade. Passar de raspão pelo Marquês mostra que Portas está longe de conseguir dar luta a Marques Mendes.

ENFIM...

Trata-se de um programa sem guião, sem fio condutor e sem sentido, e que se desenrola de tal forma que parece resumir-se à reunião de um conjunto de artistas com o fito, unicamente, de fazer pouco dos espectadores. Princípio, Meio e Fim, domingo à noite, na SIC, já está a competir pelo lugar de pior programa da década com a Criação, da RTP, série dos tempos negros da anterior direção de programas, em que personagens de uma agência de publicidade apareciam vestidos como animais.

O projeto de Bruno Nogueira é um programa experimental que, ao ser emitido na televisão generalista, desqualifica o autor e todos os envolvidos, além de desqualificar principalmente a antena da SIC. Por muito boa vontade que haja por parte do canal, não há de durar muito.

FERNANDO MENDES

O "Gordo" volta a derrotar Cristina Ferreira em nova tentativa para lhe roubar o horário das 7 da tarde. Já é a terceira vez que Fernando Mendes resiste ao ataque de Cristina, depois de ela ter falhado na primeira vida que teve na TVI, e, mais tarde, na SIC. A tudo O Preço Certo continua a resistir. Até resiste às tentativas das estações privadas para que mude de canal.

ZÉ LOPES

O day time da TVI está repleto de rostos novos, apostas de futuro, sinais de que a empresa investe na formação. Porém, sustentar as tardes de domingo, por exemplo, em apresentadores como Zé Lopes, Fanny ou Rúben Vieira é um risco incompreensível que tem causado danos ao canal, cada vez mais distante da SIC. A base destes programas é a conversa. Ora, saber conversar é uma das artes mais difíceis do mundo.

IVO ROSA

A leitura em direto de uma decisão instrutória durou mais de 3 horas, e mobilizou um auditório televisivo superior ao normal na tarde da passada sexta. A organização da justiça como espetáculo televisivo é um fator curioso, sobretudo quando vem da parte de um juiz que começa o texto da sua decisão com críticas à mediatização da justiça.

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