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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

Notícia

O abc do serviço público

Relatório anual faz o levantamento das críticas e dos elogios dos espectadores à RTP, e deixa recomendações de fazer inveja às sucessivas administrações da empresa. Jorge Wemans é o provedor do telespectador.
06 de abril de 2018 às 13:05
Jorge Wemens
Jorge Wemens

O futebol e a televisão são duas áreas em que todos gostamos de opinar. Isso é natural: falamos do que nos está próximo. Já aqui tive ocasião de defender que os espectadores portugueses são televisivamente muito cultos, porque a oferta é muito boa, capaz de se adequar à falta de meios, e os espectadores acompanham tudo, muitas horas por dia.

As 80 mil queixas recebidas pelo provedor do Telespectador, em 12 anos, conforme consta do relatório de 2017 agora noticiado pelo CM, são um bom sintoma da vitalidade da televisão e dos espectadores. São também um sinal da relevância que Jorge Wemans conseguiu imprimir ao papel do cargo que ocupa como provedor do espectador. O relatório citado é exemplar, e quase configura um plano estratégico de qualidade para a RTP – o que tem faltado, e provavelmente continuará a faltar, às administrações da empresa.

Wemans defende a língua portuguesa, nas notícias, no site e no entretenimento; insta a empresa a cumprir o serviço público e a dar atenção às populações atingidas pelos fogos, no comentário à tragédia do ano passado; recomenda equilíbrio entre comentadores políticos, e defende que devem ser identificados como políticos que são; defende que cada canal deve ter um perfil bem definido, para "evitar sobreposições e perda de diversidade" na oferta da RTP.

Conceitos simples e que provam que, por vezes, a melhor forma de definir serviço público é dizer coisas simples e evidentes, que todos percebem. Sinais de puro bom senso tão claros, mas que estão a fazer falta a quem dirige a empresa. Aconselho a leitura.  

A rede social global na TV

O escândalo do Facebook ameaça alterar a relação das democracias com a Internet, mas pouco. Na verdade, o uso que é dado às redes sociais pelas estrelas de TV constitui um pilar fundamental do sistema de criação de modas: é a ditadura dos likes, que fazem e desfazem estrelas num ápice. Ora, isto dificilmente mudará. 

Eurovisão bem guardada

O Festival da Eurovisão vai colocar Lisboa nas bocas do mundo. Razão mais que suficiente para que a operação de segurança que vai ser montada seja de grande envergadura. Na verdade, anuncia-se semellhante ao dispositivo preparado para a visita do Papa Francisco. Boa notícia. Mais vale prevenir...

Vidas Opostas

Vem aí nova batalha na ficção nacional. Quando se começa a ouvir um ruído de fundo sobre um produto que aí vem, é sintoma de que o marketing está a ser bem feito. Ora, a SIC está a lançar Vidas Opostas, a próxima novela portuguesa, com uma eficácia muito superior ao que é habitual na estação. Começa já segunda-feira, e vai substituir Espelho d’Água, uma novela que chega a esta altura do campeonato com uma média a rondar os 23%, só este ano, um bom valor para a estação. Veremos no que dá mais esta oportunidade para a ficção nacional, em Carnaxide.  

"Somos todos Centeno"

Há frases que ganham vida própria, passam a ser uma espécie de símbolo da realidade que tentaram espelhar. A democracia tem vários  exemplos: "no jobs for the boys", disse Guterres, e ficou na História como o governo dos "boys". "Vem aí o Diabo", disse Passos, e assim ficou preso ao dito para sempre. Agora, há o "somos todos Centeno", dito pelo ministro da Saúde. Fica baptizado o tempo de António Costa.

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