Pedro Chagas Freitas
COMO F***DER UM CASAMENTO Manual Prático para Mul
Notícia
Pedro Chagas Freitas: Gostar
Gostar: v. Mistura equilibrada de equilíbrio e inconsequência; só se gosta do que nos faz cair, ou então do que nos faz levantar – mas nunca se gosta do que não nos faz nada.
"Somos a ordem que criamos. Há quem nunca tenha sido feliz apenas por falta de disponibilidade."
O medo. O lobo sanguinário: quantos sonhos lhe morreram nos dentes?
- Quero subir.
- E se caíres?
- É precisamente para isso que quero subir: para pelo menos correr o risco de cair. Só a queda ensina a ver o mundo de perto.
Não há que temer o fim. Não há, até, que o levar a sério. No final vamos acabar – é por isso que se chama o final. Há que temer o caminho: é no caminho que acontece o que dói. O insuportável não é morrer: quando a morte chegar vai apanhar-me vivo, chega-me isso para me sossegar.
"Sou a diferença entre aquilo que nasci e aquilo que vou morrer. No meio está a virtude, e eu."
- Hoje magoei-me.
- Óptimo.
- ...
- Coitado de quem não pode dizer o mesmo.
A vida magoa. O que não magoa não é vida nenhuma. Um vencedor é um teimoso mais resistente à dor, pouco mais. Quem fugiu da dor a vida toda nasceu morto.
"Sou a diferença entre a paz e o desassossego. No meio está a virtude, e eu."
- Hoje estou ansioso.
- Aproveita.
- ...
- Coitado de quem não pode dizer o mesmo.
Querer é viver. Estamos vivos quando queremos, quando queremos muito, quando queremos desesperadamente, quando o coração e as pernas e o corpo todo param de tanto querer. Só quem ainda quer algo pode morrer.
"Sou a diferença entre a ansiedade e a satisfação. No meio está a virtude, e eu."
- O amor.
- O que tem?
- Basta isso. Basta tê-lo.
- O amor.
- Esse sacana. Essa besta.
- ...
- Asfixia-nos, controla-nos, domina-nos.
- Sortudo.
- O amor?
- Tu.
- ...
- São tão poucos os que o conseguem descrever assim.
- Falta de palavras?
- Falta de amor.
- Coitados.
- Coitados.
- Viva o amor.
- Viva.
Tudo para te dizer que quero, que anseio, que preciso. Não para sobreviver – ambos sabemos que a sobrevivência está sobrevalorizada. A sobrevivência é uma bosta, tão poucochinha, tão pequenina, tão mediocrezinha. Para aproveitar. Isso. Para aproveitar. Quero aproveitar-te em mim, deixar-me ser aproveitado por ti.
Pode não ser romântico, pode não ser poesia. Mas é a vida. A vida aproveita-se, e é tudo. Queres aproveitá-la comigo?
"Sou a diferença entre a tua pele e o meu segredo. No meio está a virtude, e tu."
Gostar: v. Acto que consiste em encontrar aquilo que só nós conseguimos procurar; o mar, para quem não o consegue compreender, é apenas um monte bem grande de água.
Saíste. E nem um beijo. Simplesmente foste. Tinhas certamente muito em que pensar, a empresa, as preocupações, as contas para pagar, os desafios que te esperam, mas foste sem um beijo. Deixaste um até logo distante, que quando foi falado já não estava aqui.
Eu sei: a culpa é minha. A culpa é minha e desta minha cabeça que não pára de pensar. Que não pára de questionar. Que não pára de querer entender tudo e mais alguma coisa.
CARTA AO PREGUIÇOSO ARREPENDIDO: Meu grandessíssimo burro, como querias tu que a paixão resistisse, que a nossa vida, tal qual a sonhámos resistisse, se simplesmente te deixaste cair na preguiça? Como?
Somos do tamanho do que impedimos em nós para magoar quem amamos. Em mim impeço tudo. Se sei que te pode magoar, paro. Se sei que te pode magoar, respiro, acalmo. E não faço.