"As pessoas que aparecem a chorar no 'Alta Definição' são todas boas?" A resposta de quem conhece alguns dos entrevistados
Daniel Oliveira conduz há anos um espaço de entrevistas mais pessoais na antena da SIC. As lágrimas correm na maior parte das vezes.A cada sábado, Daniel Oliveira senta-se diante do seu convidado para uma conversa intimista em que esse mesmo convidado se revela aos olhos dos espectadores e dá a conhecer (ainda melhor) ao público. Tudo isto acontece há anos no programa 'Alta Definição', da SIC.
Uma pergunta obrigatória - a que encerra sempre o programa - é: "O que dizem os seus olhos?" mas, regra geral, não é esta questão que provoca a emoção ou faz cair as lágrimas. Isso acontece, na maior parte dos casos, ao longo da conversa.
Agora, o escritor e jornalista Luís Osório, num seu habitual 'Postal do Dia' questiona: "As pessoas que aparecem a chorar no Alta Definição são todas boas?" E prossegue: "São maravilhosas, sem mácula, perfeitinhas e bondosas? Certamente que não. Há gente cuja vida faz chorar pedregulhos, mas que depois, com as câmaras desligadas são más, horríveis, perversas e capazes de verdadeiras canalhices", opina Osório.
"Há pessoas que até me obrigam a contorcionismo em frente à televisão. Conheço-os e sei o que são. Fazem-nos chorar enquanto limpam as lágrimas. Vendem a sua bondade como aqueles sabonetes que cheiram bem, mas que apenas resistem a um único banho antes de se desfazerem ingloriamente na água. Pode até ser verdade o que nos contam, só que isso não interfere no modo como tratam os outros, como tramam os outros, como humilham os outros", garante o escritor.
E prossegue: "Não é uma crítica, é uma grande notícia. O sinal de que o Bem ainda vende… que não se subestime a agradável constatação. Por isso, tanto me faz se são canalhas ou não. Se tiverem uma boa estória de vida, uma estória que nos emocione e nos faça pensar sobre a nossa, já é uma evolução. Só há uma coisa tão horrível como ser intrinsecamente mau. Sabes qual? Os que se assumem como intrinsecamente bons, perfeitos, imaculados. Tenho mais medo desses do que dos outros, dos que reconhecemos como bestas quadradas."
Luís Osório considera que "os perfeitinhos sim, são estruturalmente perigosos. São esses estafermos moralistas que incendeiam países e consciências." E volta a questionar: "As pessoas que aparecem a chorar no Alta Definição são todas boas? São enquanto dura o programa. Naqueles cinquenta minutos podemos acreditar que sim, podemos comprar a sua estória e chorar lágrimas que durem toda a semana. O resto, sinceramente, é secundário. O resto são outros quinhentos."