Da perda de bebés à amputação do braço e a raiva que ficou: os traumas de Maria das Dores que poderão ter levado à morte encomendada do marido
Maria das Dores viu a sua vida marcada por dor e frustração, experiências dramáticas podem ter sido decisivas na decisão de encomendar a morte do marido.Maria das Dores, a socialite que mandou matar o marido em 2007, está em liberdade condicional desde outubro de 2023, depois de ter cumprido 16 dos 21 anos de prisão a que foi condenada por homicídio qualificado. A história, marcada por tragédia e dor, foi recontada no podcast 'Aqui Há Crime', da SIC, revelando agora o lado mais íntimo da sua vida.
A apresentadora Júlia Pinheiro e a jornalista Marta Gonçalves desvendaram no programa a série de acontecimentos que terão contribuído para a decisão de Maria encomendar a morte de Paulo Pereira da Cruz. A socialite conheceu o marido num restaurante em Sintra, e o que começou como um romance acabou de forma trágica no dia 20 de janeiro de 2007, com o assassinato encomendado pela própria esposa.
Mas o crime é apenas uma parte de uma história muito mais complexa. Maria já era mãe de David Motta, fruto de um primeiro casamento, e enfrentou perdas devastadoras antes do nascimento do segundo filho, Duarte. “A última gravidez, que é a que ela consegue ter, é de risco, então tem de deixar o emprego porque fica de cama”, explicou Virgínia Lopes, a única jornalista que a entrevistou à época. Entre complicações, cinco gravidezes terminadas em perda e até partos de bebés já sem vida, a vida de Maria esteve sempre marcada por sofrimento físico e emocional.
O drama prolongou-se com um acidente grave em 1 de abril de 2000. Durante uma discussão, o marido perdeu o controlo do carro, provocando um despiste que deixou Maria com o braço direito amputado pelo cotovelo. “Quando ela regressa a casa, pegar ao colo aquele bebé já não é a mesma coisa… Maria das Dores também fica afetada por causa de tudo isto do braço e começa a ver que tudo aquilo que ela depositou naquele relacionamento e naquele homem não existe”, recorda Virgínia. Aos 41 anos, Maria via-se limitada em 83% da capacidade física, carregando uma dor constante.
A jornalista do 'Expresso' acrescentou ainda que, além das perdas e do acidente, a relação com Paulo era marcada por críticas e insultos, como quando ele passou a chamá-la “Maria Gorda”. “Dentro da cabeça, do coração dela, havia em alguns momentos essa raiva de ‘deixei a minha carreira, deixei a minha vida, perdi o meu corpo’ por causa dos tratamentos que teve de fazer para engravidar. Depois tiveram um acidente e ela perdeu parte do braço. Foram anos de cirurgias, muitas dores. Ou seja, há uma série de pensamentos e de emoções dentro dela que vão construindo essa raiva contra o marido”, descreveu Virgínia.