Uma coisa é Putin controlar a opinião pública interna. Coisa bem diferente é a União Europeia responder na mesma moeda. A Europa decidiu proibir canais russos, e as operadoras de cabo nacionais cumpriram escrupulosamente a instrução, e descontinuaram canais como a RT. Esse ato de apagamento de canais aproxima-nos demasiadamente de Putin.
Épreciso dizê-lo com clareza. O que distingue a democracia da ditadura, mais ou menos musculada, é um conjunto de valores como a liberdade, a livre iniciativa, a imprensa independente e a recusa total e sistemática de qualquer censura. Todas as vozes e argumentos devem ser ouvidos. Só a livre discussão e a troca de ideias pode derrotar os argumentos que se opõem aos valores democráticos. No início da guerra, Putin proibiu a utilização de expressões como "invasão". Até por cá alguns responsáveis políticos mais alinhados com a Rússia evitaram inicialmente a utilização dessa palavra. Seguiram-se várias ações de censura.
Ainda esta semana, o
Correio da Manhãcontou a história de uma refugiada ucraniana de origem russa, que se queixava que a sua irmã, na Rússia, não acreditava no que ela lhe contava. Para a irmã de uma vítima da guerra, o conflito simplesmente não existia. Malhas que a autocracia tece. Ora, uma coisa é Putin controlar a opinião pública interna. Coisa bem diferente é a União Europeia responder na mesma moeda.
A Europa decidiu proibir canais russos, e as operadoras de cabo nacionais cumpriram escrupulosamente a instrução, e descontinuaram canais como a RT. Esse ato de apagamento de canais aproxima-nos demasiadamente de Putin. E na verdade há um abismo entre nós, europeus, e o autocrata de Moscovo.
PROGRAMAÇÃO - A FORÇA DO CABO
Redação Correio da Manhã/CMTV
O fatorizar e todo o resto da atualidade juntam um auditório enorme nos canais de informação nacional. A soma dos quatro juntos ficou nesta última semana muitas vezes acima dos principais canais FTA, SIC e TVI. Fruto de um panorama audiovisual muito particular, em Portugal, onde a percentagemde lares com cabo é tremenda, os canais temáticos têm uma força extraordinária, que só não é maior porque o painel que mede as audiências não representa a percentagem de cabo no País. Imposição das generalistas. Se não fosse isso, um canal de cabo poderia liderar o consumo no futuro.
INFORMAÇÃO - MONOTEMÁTICA
criança, soldado, ucrânia, guerraFoto: D.R.
O telejornalismo português tem este defeito capital. Quando intui que determinada notícia gera um interesse acima da média, rapidamente cai em noticiários monotemáticos, afunilandoa atenção social num só facto. Temos exemplos recentes, como foi o caso dos incêndios de verão, a pandemia, e agora a guerra na Ucrânia. Nada a opor ao tratamento exaustivo das notícias principais. Mas fazer edições unicamente preenchidas por uma só notícia é contraproducente, sobretudo quando sabemos como a televisão é, em grande medida, o único veículo de informação para parte da população, além da existência de fortíssimos canais de informação, no cabo.
SOBE - SÍLVIA ALBERTO
sílvia alberto, got talent portugalFoto: RTP
'Got Talent'regista boasperformancesno serão de domingo da RTP1, até pela fraqueza dochefLjubomir, na SIC. Sílvia Alberto é uma boa alternativa a Catarina Furtado, caso o canal público venha a perder a sua principal estrela.
DESCE - BRUNO NOGUEIRA
Como é que o Bicho Mexe, Bruno Nogueira
O novo formato, 'Tabu', é, como seria previsível, um problema que a SIC deixa instalar em horário nobre, ao sábado. Se os sábados puserem em causa a vitória da SIC no mês, o programa começará inevitavelmente a resvalar para depois da meia-noite. Aí, pode funcionar.
DESCE - CRISTINA FERREIRA
Cristina Ferreira
Fruto de umcasting mais fraco, a segunda edição do 'Big Brother Famosos'está longe de dar o empurrão à TVI que a edição anterior proporcionou. Está difícil a recuperação do canal 4, sempre a faltar qualquer coisa para conseguir enfrentar a SIC.
Com mais equipas, mais jogos e mais jogadores, este Mundial suscita uma curiosidade adicional pelo facto de se realizar em três países, ainda para mais sendo um deles a América de Trump.