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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

Notícia

Tantos debates!

Organizar dezenas de debates em pouco mais de duas semanas é bizarro. Eventualmente, os prazos eleitorais não deixaram alternativa. Porém, dar mais de 30 debates em poucos dias, por vezes à razão de três por dia, vai estabelecer uma confusão tal no espectador que chegaremos todos ao fim com a noção de que pouco ou nada ficou de substantivo da enorme cacofonia política que se vai gerar.
07 de janeiro de 2022 às 00:00
Catarina Martins, Rui Rio, debate
Catarina Martins, Rui Rio, debate Foto: SIC

Quando o leitor tiver a sua TV Guia nas mãos já estará em velocidade de cruzeiro a série de 36 debates pré-eleitorais. O primeiro facto digno de registo nesta maratona é este: dos 36 programas aprazados, nem todos se realizarão, porque o secretário-geral do PCP já anunciou que só vai comparecer nos que são emitidos em sinal aberto. Parece um boicote comunista ao cabo, mas na realidade é um protesto contra um alegado tratamento diferenciado de quem calendarizou os programas, e colocou mais vezes Costa e Rio em sinal aberto do que os outros líderes.

Uma atitude curiosa em defesa da igualdade, mas que terá efeitos práticos nulos, ou, no máximo, prejudiciais para o PCP, porque terá menos tempo de antena ao recusar comparecer nalgumas emissões. Se a inclusão de todos os partidos resulta, de alguma forma, da pressão legal e da Comissão Nacional de Eleições, não é muito lógico que depois a segregação dos debates entre os canais de sinal aberto e o cabo não tenha consequências, nem suscite qualquer reação da entidade que gere o processo eleitoral. Trata-se de uma hipocrisia institucional com a qual o PCP não pactuou.

A segunda nota é mais estrutural: organizar dezenas de debates em pouco mais de duas semanas é bizarro. Eventualmente, os prazos eleitorais não deixaram alternativa. Porém, dar mais de 30 debates em poucos dias, por vezes à razão de três por dia, vai estabelecer uma confusão tal no espectador que chegaremos todos ao fim com a noção de que pouco ou nada ficou de substantivo da enorme cacofonia política que se vai gerar. É mais uma desvalorização simbólica da política.          

Uma atitude curiosa em defesa da igualdade, mas que terá efeitos práticos nulos, ou, no máximo, prejudiciais para o PCP, porque terá menos tempo de antena ao recusar comparecer nalgumas emissões. Se a inclusão de todos os partidos resulta, de alguma forma, da pressão legal e da Comissão Nacional de Eleições, não é muito lógico que depois a segregação dos debates entre os canais de sinal aberto e o cabo não tenha consequências, nem suscite qualquer reação da entidade que gere o processo eleitoral. Trata-se de uma hipocrisia institucional com a qual o PCP não pactuou.

 

PROGRAMAÇÃO - RÉVEILLON DA TVI

A final do 'Big Brother'
A final do 'Big Brother' Foto: TVI

O final do ano é um momento simbólico para os canais, como temos aqui chamado a atenção ano após ano. A vitória da TVI no último dia de 2021 é relevante, e mostra que a SIC já está longe de ser uma fortaleza inexpugnável. A goleada dada pelo Big Brother neste dia simbólico acentua a razão de ser de outra análise que aqui tem sido feita: com outro enquadramento, com outras opções de apresentadores e com capacidade de, friamente, analisar e corrigir os erros, a TVI teria dado muito mais luta neste último trimestre.

 

INFORMAÇÃO - EXTREMOS

Catarina Martins, André Ventura, debate
Catarina Martins, André Ventura, debate Foto: SIC

O primeiro debate com interesse opôs André Ventura e Catarina Martins. Os extremos tocaram-se. O interesse eleitoral dos debates é muito controverso. Hoje em dia, há um certo consenso de que os debates servem sobretudo para reforçar o núcleo dos apoiantes de cada candidato, em vez de arregimentar novos votantes. Nesse sentido, para Ventura será mais relevante o debate com Rio ou Cotrim Figueiredo, e, para Catarina, com Costa. Porém, o frente-a-frente entre dois grandes atores da política foi um espetáculo televisivamente rico. Cá estaremos para analisar os debates decisivos.

 

SOBE - GOUCHA E CLÁUDIO

A final do 'Big Brother'
A final do 'Big Brother' Foto: TVI

Não é deles a responsabilidade pela escolha de uma dupla impensável de apresentadores para o Big Brother. Limitaram-se a fazer o melhor trabalho possível para disfarçar o absurdo de terem colocado dois homens à frente do formato. O ótimo resultado da final do concurso funciona como prémio para o esforço dos dois.

 

DESCE - ANTÓNIO JOSÉ TEIXEIRA

António José Teixeira
António José Teixeira Foto: RTP

O canal de notícias da RTP registou no domingo 0,3% de share, atrás de canais irrelevantes como o Cinemundo ou o AMC. Ficou praticamente na margem de erro. Com os meios da televisão pública, o canal de notícias tinha obrigação, pelo menos, de cobrir o País. Nem isso faz.

 

DESCE - LJUBOMIR

Ljubomir, em 'Hell's Kitchen'
Ljubomir, em 'Hell's Kitchen' Foto: Redes Sociais

A nova série do concurso do cozinheiro sérvio foi atropelada na estreia pelo Big Brother Famosos, na TVI. A diferença vai encurtar, e se calhar o chef até vai ganhar um ou outro dia, porque a SIC é muito melhor a gerir a grelha que a TVI. Mas será sempre em esforço. Este formato do chef Ljubomir não rende, e esta deve ser a última temporada.

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