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Faz de conta que és meu durante dois segundos.
Ele fez.
Já lá vão trinta anos.
Vive-se cada vez mais do que não acontece, antes do que se julga ter acontecido. A realidade é, assim, uma espécie de concurso literário: as criações mais talentosas são as que ganham o prémio de serem vistas como efectivamente verdadeiras. A realidade é a ficção mais competente, digamos. E sintamos, já agora.
Ontem sonhei que eras meu até à morte.
Já lá vão trinta anos.
É certo que ainda não morreste, mas já é um começo.
A ligação entre duas pessoas acontece quase sempre por quase nada. Um olhar distraído, uma folha caída, uma coragem inesperada. A melhor maneira de preparar uma atracção é não a preparar de maneira nenhuma, deixar que seja o improviso a ensinar o beijo. Ligamo-nos ao outro por intermédio de um mecanismo estranho, uma tecnologia de ponta dominada na perfeição por muito poucos, habitualmente designada amor. As novas tecnologias podem até dominar o mundo, mas é o amor que domina as pessoas. Agora decidam lá no que querem investir.
Foi a única vez que a minha mãe se atrasou.
Já lá vão vinte e seis anos.
Completo-os hoje.
O tempo é uma construção concretamente abstracta, passe a expressão. Somos controlados por algo que nos contabiliza o inútil: o trabalho, as refeições, os compromissos. O que sobra do tempo é o que vale a pena. Melhor: o que nos retira do tempo é o que vale a pena: um abraço, uma euforia, uma paixão. E, claro, um orgasmo. O tempo é o burocrata da vida, o chato de calculadora na mão sempre à espera de fiscalizar a diversão. Todos poderíamos, tínhamos poder para isso, mandar bugiar o tempo, agarrar os momentos sem peso na consciência. Mas não temos tempo.
Decidiram, por mais que fosse doloroso, separar-se.
Foram os dez minutos mais longos da vida deles.
Renitência: s.f. Momento em que não sabes se deves avançar se deves recuar se deves ficar quieto. O mesmo que vida.