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1. Nas várias conversas que tenho com profissionais de televisão, sejam da RTP, da SIC ou da TVI, há uma que me faz ter esperança de que este mundo, afinal, não é uma selva. Tudo por causa da escolha de Maria Cerqueira Gomes para apresentar ‘A Tua Cara não Me É Estranha’, que arrancou no último domingo. "Ela ainda vai ser a grande estrela da TVI", atirou a certo momento. Ora bem, quem me disse isto não tem afinidades nenhumas com Maria Cerqueira Gomes, não trabalha em Queluz de Baixo e tem muitos anos de experiência. Vi com atenção a estreia do concurso de imitações e, se pode parecer um abuso "a grande estrela da TVI", também me parece manifestamente exagerado o anúncio da sua "morte". Maria Cerqueira Gomes não é Cristina Ferreira, não é. Mas alguém é igual a alguém? Deixem-na trabalhar e crescer.
Sozinha em palco – recordo que ‘A Tua Cara não Me É Estanha’ era "só" apresentado por Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha –, Maria Cerqueira Gomes deu conta do recado durante duas horas e cinco minutos, provando que tem talento e que, se for bem acompanhada, a TVI tem aqui uma boa solução nos próximos anos para o seu entretenimento. E as audiências, ao contrário do que alguns pensam, não foram más. Um milhão de espectadores contra o final do ‘reality show’ da SIC é um resultado que não envergonha ninguém. Pelo contrário. Em 2018, por exemplo, Cristina e Goucha, juntos, fizeram pior na estreia.
2. Tânia Ribas de Oliveira estreou-se há um mês a solo na RTP1, com ‘A Nossa Tarde’. Numa estação pública que perde em toda a linha durante o dia, a não ser quando tem um jogo de futebol, os números alcançados até agora (entre os 150 mil e os 220 mil espectadores) são razoáveis – aliás, na semana passada, levou a melhor sobre ‘A Tarde É Sua’, da TVI. Para uma apresentadora que está a viver uma experiência única, para um programa que tem poucos dias de vida, e que é bem melhor do que aquele que existia, haja também paciência aqui.
3. O Conselho de Opinião da RTP quer que a administração da estação pública explique melhor o desvio de 7 milhões de euros no orçamento de 2018, suspeitando de que isso se deva ao Mundial de Futebol ou ao Festival da Eurovisão. Eu também.