Depois de William e Kate, é Carlos III que quebra o silêncio em relação às investigações sobre André e Epstein
O rei de Inglaterra garante estar "pronto para apoiar" as autoridades sobre os alegados crimes sexuais do irmão.Depois do príncipes de Gales, William e Kate, terem afirmado que estão "profundamente preocupados" com as revelações que continuam a surgir sobre as ligações do ex-príncipe André ao predador sexual Jeffrey Epstein, o rei Carlos III afirmou agora, através de um porta-voz do Palácio de Buckingham, que está "pronto para apoiar toda e qualquer investigação das autoridades".
"O rei deixou clara, em palavras e por meio de ações sem precedentes, a sua profunda preocupação com as alegações que continuam a vir à tona a respeito da conduta do Sr. Mountbatten-Windsor. Embora as alegações específicas em questão devam ser abordadas pelo Sr. Mountbatten-Windsor, se formos contactados pela polícia estaremos prontos para apoiá-los, como seria de se esperar", informou o porta-voz à BBC.
"Como já foi dito, os pensamentos e a solidariedade de Suas Majestades estiveram, e continuam a estar, com as vítimas de todas e quaisquer formas de abuso", acrescentou.
O antigo príncipe André partilhou, em 2010 e 2011, informações confidenciais do seu trabalho como enviado comercial do Reino Unido com o magnata norte-americano e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Com base nesses documentos, a BBC noticiou no domingo que uma série de e-mails mostram que André, despojado dos títulos pelo rei Carlos III em outubro passado devido aos seus laços com o magnata, enviou a Epstein detalhes das suas viagens oficiais a Singapura, Vietname, Shenzhen e Hong Kong, bem como relatórios dessas visitas elaborados pelo seu assistente, Amit Patel, pouco depois de os receber.
Enviou ainda a Epstein – que morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores – informações sobre oportunidades de investimento no Afeganistão, que seriam supervisionadas pelas forças britânicas e financiadas pelo Governo do Reino Unido.
A BBC refere que uma das mensagens sobre as suas atividades oficiais é datada de cerca do Natal de 2010, apesar de André ter declarado numa entrevista de 2019 que tinha rompido todos os laços com Epstein no início de dezembro desse ano.