'
Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

Notícia

Amor com acidez

Por detrás desta mancha enorme de crimes as mulheres são as principais vítimas e os filhos menores. Se este número gira em volta dos 30 mil casos, por que não se fala disto?
07 de abril de 2024 às 00:00
violência contra mulher
violência contra mulher Foto: Pixabay

Os números da criminalidade, referentes a 2023, foram conhecidos esta semana e não enganam – a violência doméstica continua a liderar, com larga folga, os restantes crimes registados. Cerca de trinta mil participações. Se tivermos em linha de conta de que este crime, por múltiplos motivos, tem tendência a ficar escondido nas cifras negras (crimes ocorridos mas não denunciados), que nele se integram vinte por cento dos homicídios ocorridos no País; se quisermos supor que por detrás desta mancha enorme de crimes as mulheres são as principais vítimas e os filhos menores, que testemunham a brutalidade, alarga o número de vítimas, se este número de crimes que ano após ano giram em volta dos trinta mil casos, por que não se fala disto?

Acabamos de viver a mais prolongada campanha eleitoral da nossa democracia, com debates a metro, com discussões a eito, com verdadeiras rixas verbais, qual a razão do silêncio para que a violência doméstica esteja fora da agenda política? Quantos mais cadáveres são necessários para que este tema preocupe a classe política?

Uma sugestão a Luís Montenegro, agora que se prepara para apresentar o seu programa de governo à Assembleia da República. Que mobilize o ministério da Educação, o ministério da Segurança Social, o ministério da Administração Interna e o da Justiça para formarem uma equipa interdisciplinar que, de uma vez por todas, provoque uma das reformas essenciais da nossa vida comunitária com a procura de uma fórmula que faça regredir este flagelo nacional.

Que use a aprendizagem da cidadania, da igualdade de género para que as nossas crianças, desde cedo, saibam usufruir, com dignidade, os seus direitos humanos, que utilize a informação da segurança social para identificar os grupos de risco, que recorra à segurança interna para descobrir uma geografia de risco e, finalmente, com toda esta informação possa refletir sobre os destinos da justiça sobre o melhor tratamento judiciário para fazer regredir este inferno.

É uma batalha difícil, porém é daquelas que vale a pena viver em nome da paz social, da decência social, reforçando a cultura humanista que este país subdesenvolvido necessita como de pão para a boca.

Leia também
Leia também
Leia também

você vai gostar de...

Mais notícias de Piquete de Polícia

Agora, a sério

Agora, a sério

Contratar duas dúzias de tratores de rasto é mais barato do que contratar esquadrões de aviação.
Agressão com amor

Agressão com amor

Juraram e viveram promessas de amor, fizeram de filhos, construíram vidas e, mais cedo ou mais tarde, começa a agressão.
O inferno

O inferno

Os governos, os sucessivos governos, seja qual for a cor da sua bandeira, passam pelos fogos como cão por vinha vindimada.
Afogamentos

Afogamentos

A esmagadora maioria dos óbitos, ocorridos no mar e em rios, acontece em locais sem controlo de vigilância e sem ajuda.
Absolvição

Absolvição

A tese que defendia que ele [Fernando Valente] assassinara Mónica Silva morreu na sala de julgamento.
A Operação Marquês

A Operação Marquês

Tenho ficado perturbado com os comícios que Sócrates gerou à porta do tribunal.

Subscrever Subscreva a newsletter e receba diariamente todas as noticias de forma confortável