O corte só chegaria com o rei Carlos III. Apesar de ainda durante o tempo de via da mãe, Isabel II, terem surgido as primeiras denúncias do envolvimento do príncipe André na rede de tráfico sexual de Jeffrey Epstein, a monarca sempre revelou bastante dificuldade em lidar com o caso e há quem diga que tenha feito de tudo para proteger o filho - que sempre se afirmou ser o seu favorito - mantendo-o à margem da exposição mediática, mas com todas as regalias reais.
Foi, na verdade, já, depois da morte da rainha, que tudo mudou para o príncipe André, que sempre teve consciência de que não receberia a mesma benevolência do irmão, Carlos, então coroado rei. E quando deixou de haver quaisquer dúvidas sobre a ligação do príncipe ao magnata norte-americano, tudo ruiu. Pressionado por William, que pediu mão pesada para o tio, o rei cortaria-lhe com todas as benesses reais. A par dos títulos, que lhe foram retirados, Carlos III exigiria mesmo que André saísse da casa que habitava, propriedade da Coroa. E, como se não bastasse, a derradeira humilhação aconteceu esta quinta-feira, 19 de fevereiro, quando o monarca foi detido, por suspeitas de má conduta em cargos públicos.
Perante as evidências, o rei Carlos III apressou-se a reagir, mostrando que irá cooperar em tudo com as autoridades. “Fiquei a saber com a mais profunda preocupação as notícias sobre André e a suspeita de má conduta no exercício de funções públicas. O que se segue agora é um processo completo, justo e adequado pelo qual este tema será investigado da forma apropriada pelas autoridades competentes. Neste sentido, como já disse anteriormente, têm o nosso apoio e cooperação total e incondicional”, afirmou. “Deixem-me afirmar claramente: a lei deve seguir o seu curso. Enquanto este processo continua, não seria correto da minha parte comentar mais este assunto. Entretanto, a minha família e eu continuaremos a cumprir o nosso dever e a servir-vos a todos”, lê-se, ainda na nota.
André fica, assim, sozinho com os seus demónios. Além do corte com o núcleo principal da família real britânica, até uma das filhas cortaria relações, mostrando-se profundamente chocada com as ligações do pai a Epstein, neste caso a mais nova, Eugenie. "Não o visitou no Natal e não há qualquer ligação há meses. André está devastado", diz uma fonte, acrescentando que, por outro lado, o príncipe mantém o contacto com Beatrice, que tenta manter uma postura mais neutra na situação, tendo mesmo convidado o pai para o batizado da filha Athena, de 11 meses. "Ela está a tentar manter as coisas estáveis e a linha ténue entre não cortar com o pai, por um lado, e manter-se nas boas graças da família, por outro."
Em outubro, perdeu todos os títulos reais e pouco depois perderia também o direito a viver na sumptuosa propriedade pertencente à Coroa. No entanto, as mudanças não se ficam por aqui e, segundo revela o 'Daily Mail', a filha mais nova, Eugenie, decidiu cortar todos os laços com o pai. "Não o visitou no Natal e não há qualquer ligação há meses. André está devastado", diz uma fonte, acrescentando que, por outro lado, o príncipe mantém o contacto com Beatrice, que tenta manter uma postura mais neutra na situação, tendo mesmo convidado o pai para o batizado da filha Athena, de 11 meses. "Ela está a tentar manter as coisas estáveis e a linha ténue entre não cortar com o pai, por um lado, e manter-se nas boas graças da família, por outro."
No entanto, Eugenie revela-se incapaz de agir da mesma forma. Envolvida em várias causas sociais contra o tráfico sexual, a princesa não consegue conceber o envolvimento do pai no escândalo e mostra-se "profundamente desiludida".
AS EVIDÊNCIAS DA PROXIMIDADE COM EPSTEIN
Na entrevista que deu à BBC após a sua ligação ao pedófilo Jeffrey Epstein ter sido tornada pública, o príncipe André vestia uma capa de indignação. Enquanto garantia nada ter a ver com o magnata - que pôs fim à vida na prisão, mas não à investigação sobre a rede de tráfico sexual por si criada, que persiste - afirmava ainda que a sua viagem a Nova Iorque em 2010 apenas tinha tido um motivo: informar o predador sexual que a amizade entre os dois estava terminada.
Na altura, Epstein fazia do seu email uma espécie de diário de bordo e foi também a propósito dessas comunicações que, aos dias de hoje, se consegue reconstruir o rasto de como teriam sucedido os abusos do pedófilo, que aliciava dezenas e dezenas de raparigas menores para irem até à sua mansão na Flórida, onde decorriam as 'famosas' festas, com a presença de muitos ilustres da sociedade.
Naquele fim de ano de 2010, o príncipe André seria o convidado principal de um desses eventos e, a propósito disso, há emails a acelerar a contratação de raparigas que chegariam a casa de Epstein "depois da escola", como se pode ver numa dessas comunicações, em que se preparava uma estadia de nove dias para o monarca, que à chegada foi logo recebido com um tratamento estético: um spa facial, tendo-lhe sido disponibilizado motorista particular para toda a estadia.
Na troca de emails seguintes, é detalhada, a 'contratação' das diversas raparigas que iriam marcar presença não só na grande festa que estava a ser organizada, mas também no dia a dia de André nos EUA. Num deles, lia-se que determinada rapariga "poderia vir depois das aulas", enquanto noutro Epstein pedia para a noite da festa ao contabilista que lhe trouxesse "cinco mil dólares em dinheiro" - recorde-se que o magnata, amigo de Donald Trump, pagaria a cada vítima perto de 300 dólares, mantendo largas quantias de notas na sua mansão.
Nessa noite, Epstein recebe um e-mail a dizer: "Olá Jeffrey, vou trabalhar e estudar amanhã. Quarta-feira posso ir entre as 16h e as 18h30." A mesma rapariga pediu-lhe dinheiro para comprar "sapatilhas de ponta para os ensaios de ballet".
A NOITE DA FESTA
Para receber o príncipe André, houve festa brava, com o momento a estar a cargo da conhecida organizadora de festas Peggy Siegal. Entre os convidados ilustres estava o realizador Woody Allen e a mulher, Soon-Yi. Mick Jagger também esteve entre os convidados, mas disse que "adoraria poder estar presente", mas que se encontrava em França, enquanto Kate Winslet terá recusado o convite.
No dia seguinte, há emails que relatam o sucesso da festa e já depois da sua longa estadia em Nova Iorque - onde assistiu com Epstein antecipadamente ao filme 'O Discurso do Rei', que foi enviado por Harvey Weinstein - André mostrou-se rendido.
Ao chegar a Inglaterra, enviou um email ao amigo a agradecer todos os convívios. "Foi ótimo passar algum tempo com a minha família americana. Ansioso por me juntar a vocês novamente em breve."
Publicamente, porém, mostraria, mais tarde, um discurso diferente, garantindo que, quando visitou Epstein para lhe comunicar que a amizade entre os dois estava desfeita, se mostrou chocado. "Havia pessoas a entrar e a sair daquela casa o tempo todo. "Eu não tinha nada a ver com o que elas estavam a fazer e porque estavam ali."