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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues A Grelha da Semana

Notícia

A novela do futebol

Reflexão sobre o fenómeno dos programas de análise do jogo e das transferências de jogadores que preenchem grande parte da grelha de todos os canais de informação no cabo.
CMTV
CMTV

Sem futebol jogado, analisemos os programas de debate nas televisões. São formatos com décadas de vida, que passaram das generalistas para o cabo. É difícil dizer se estes programas têm sucesso porque o cabo cresce, ou se o cabo cresce porque estes programas têm sucesso. Certo é que o modelo pouco varia: juntam-se adeptos dos três clubes com expressão sociológica e um ou outro comentador independente ou especialista em arbitragem. Nesta fase do ano, há uma nuance. As transferências são tema preferencial.

A SIC Notícias foi a última a aderir à receita e só agora passou a ter um programa igual à concorrência, à tarde e à noite. A multiplicação destas emissões transforma o futebol numa novela permanente que marca o ritmo da sociedade portuguesa, uma sociedade com pouco acesso ao jogo, devido aos preços dos canais que o emitem, mas apaixonada pela conversa, numa espécie de terapia de substituição. A narrativa que faz do futebol o desporto-rei nasce aqui.

Curiosamente, foram os clubes os primeiros a entendê-lo, ao procurarem influenciar painéis e colocar comentadores afetos aos respetivos poderes. Aqui, como em todas as áreas, a opção dos espectadores portugueses é sempre definida pela independência. Quem é mais livre acaba sempre por ganhar a preferência do auditório e quem está preso a interesses pode aguentar-se algum tempo, mas acaba por perder.

No fundo, os programas sobre futebol são uma lição para todos nós. Não passam de uma metáfora do País.                               

TVI perdeu 20% em 6 meses

O ano começou com a TVI na casa dos 19% e média de 379 mil espectadores. Em junho, o canal desceu para os 14,9% e perdeu mais de 100 mil pessoas por dia, tendo agora uma média de apenas 278 mil espectadores. Ou seja: em apenas 6 meses, fugiu um em cada cinco espectadores que acompanhavam o canal. Demolidor.

Lucélia Santos

Para os espectadores portugueses acima dos 40 anos, será para sempre a personificação da escrava Isaura, na narrativa original, a da Globo. A participação de Lucélia Santos na próxima novela da TVI é, para todos os efeitos, um acontecimento histórico. Porém, para o público-TVI, formatado na rejeição da ficção brasileira, trata-se de um contrassenso perigoso.

 

A IURD e a TVI

O conjunto de imputações que está a ser feito ao trabalho da TVI sobre as adoções da IURD é grave e impõe à estação um esclarecimento claro e urgente. A TVI apresentou as reportagens com pompa e circunstância e convenceu um vasto conjunto de personalidades para uma campanha de denúncia sob o lema "eu não adoto esse silêncio", personalidades que poderão agora sentir-se enganadas. O dano reputacional será gigantesco se as dúvidas ficarem a pairar.

Jogos Europeus

Ninguém sai bem visto do escândalo dos Jogos Europeus, de Minsk. Portugal ganhou 15 medalhas, as provas não deram na RTP e isso levou o governo a criticar a empresa pública. A RTP devia ter-se preocupado atempadamente, mas o governo também, visto que poderia ter incluído as provas na lista de interesse público, e não o fez. Criticar depois do mal-estar feito cheira a má consciência e a oportunismo político.

Jogos Europeus

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