Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

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Esperando os incêndios

Começa a cheirar a verão e, com ele, os incêndios estão à porta. Entramos nesta época carregando os traumas e o horror das tragédias do ano passado.
20 de maio de 2018 às 14:54
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Esperando os incêndios
Foto: Lusa

Começa a cheirar a verão e, com ele, os incêndios estão à porta. Entramos nesta época carregando os traumas e o horror das tragédias do ano passado. Mais de cem mortos, centenas de milhares de hectares de terra em cinzas, milhares de animais mortos, centenas de empresas destruídas, aldeias em luto e os pobres ainda mais pobres. Quase um ano depois, ainda não está reposta a normalidade nas regiões afectadas. Dinheiro que falta, que dinheiro que foi desviado, gente aflita com medo de iguais dias de inferno.

Nada do que foi prometido está em dia. A falta de aviões, a falta de equipamentos, a confusão que reina no interior da Protecção Civil, o descontrolo em sectores estratégicos dos bombeiros, em conflito com a Autoridade Nacional de Protecção Civil. E o tempo a aquecer, os dias a passar e a crueldade de um calendário indiferente às fragilidades do poder e dos poderzinhos que se agitam em véspera de campanha contra o fogo.

É certo que, olhando para a história dos incêndios, que não existem dois anos sucessivos que sejam idênticos. Que as variações meteorológicas são diferentes de ano para ano. Que é preciso que três variáveis se cruzem para criar as condições para a tragédia: temperaturas altas, baixa humidade e vento forte. O ano que findou, trouxe estes factores conjuntos para a tempestade perfeita durante vários dias em curto espaço de tempo. Até quando já não se esperava, como foi o caso do fatídico mês de Outubro. Mais do que os homens é a realidade meteorológica que decide a intensidade dos incêndios e, para isso, não existe controle.

É certo que muito foi feito ao nível da prevenção, da limpeza das matas, Também sabemos que os nossos bombeiros se agigantam, verdadeiros heróis que ganharam alforria em combates desiguais contra o fogo. É muito mas não é nada quando a Natureza, sobretudo o clima, decide ser tirana. Vem a morte e a ruína. Não sabemos como vai ser. Apenas sabemos que não queremos outro verão de 2017 nas nossas vidas. O tempo o dirá. Talvez haja um Deus clemente que tenha piedade de nós.

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