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Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

A ilusão da presença

Digo, com a margem de erro que pode ter uma mera reflexão sobre ausências, que a pandemia terá desestruturado os processos educativos. Roubou o espaço para o encontro. Potenciou o vazio. Expropriou-nos, a todos, do viver em comunidade. Foi necessário trocar a presença pela ilusão da presença e os nossos jovens foram submetidos a novas cargas de risco.

Crime e eleições

Até agora, nem uma palavra sobre segurança. O único mote e que já perderam muitos minutos de conversa mole e sem qualquer consequência foi sobre a prisão perpétua. Com exceção desta conversa meio tonta, alguém ouviu uma discussão, uma ideia que fosse, sobre o entendimento que cada partido tem no que respeita à prevenção e combate da criminalidade?

O tempo não quebra

O tempo não quebra. Na sua lenta mutação, sucedendo dias e noites, meses após meses, é uma força externa às nossas vontades e expectativas como um rio lento de magma vulcânica que apenas a morte interrompe. Nem a política, nem a economia, nem a saúde, nem atividade criminosa muda porque o ano mudou. Habitam um tempo diferente, lento, por vezes parece-nos viscoso, que resiste às alterações que desejamos quando ingerimos as doze passas ao tocar o primeiro minuto do novo ano.

Sem saudades

À descida da segunda vaga, foi proclamada a libertação. Conversa demagógica. Afirmações sem escrúpulos e sem horizonte no olhar. E aqui estamos, pronto a encerrar 2021, confinados, em sofreguidão por testes e autotestes, desorientados, temendo o primeiro mês de 2022 e novas vagas. Para agravar a situação, estamos a um mês de eleições e já se percebeu que a campanha eleitoral vai gerir os nossos receios, as nossas desconfianças, aproveitado o vírus para a manipulação política.

Quase satânico

Foi o Papa Francisco quem o disse. A violência contra as mulheres, em ambiente doméstico, é um comportamento quase satânico. E tem razão. É a época indicada para o Sumo Pontífice trazer este assunto à baila. Sobretudo, quando passaram quase dois anos sobre o início da pandemia e o Mundo se transfigurou no que respeita às limitações sanitárias impostas. As mulheres vítimas dos companheiros ficaram mais expostas e vulneráveis. Foi-lhes dificultado o acesso às autoridades policiais. O confinamento funcionou contra elas.

Miséria humana

Os dois bebés mortos em Cascais durante um parto surpreendente, afinal foram assassinados à nascença. Desconfiava-se da explicação da mãe que afirmava que não sabia estar grávida. Tornou-se suspeito esperar nove horas até pedir socorro. E o pai? Não há pai neste psicodrama?

Esticão

O esticão é um crime vulgar nas grandes cidades e, num modo geral, tem as mulheres como alvo. O agressor aproxima-se naturalmente da vítima, como se fosse a caminhar sem interesse aparente e, de súbito, desencadeia o ataque. Os alvos mais apetecíveis são fios de usar ao pescoço e malas. Com um forte esticão apodera-se destes objetos e desata a correr pela rua fora ou salta para uma motorizada conduzida por um cúmplice.

Quantas justiças?

Durante as manifestações do movimento Black Lives Matter, que se desenrolaram na cidade de Kenosha, no Estado de Wisconsin, houve distúrbios. Kyle, na altura com 16 anos, empunhando uma potente arma de fogo, saiu à rua contra os manifestantes. No meio da turbulência disparou três tiros. Matou duas pessoas e feriu uma terceira. Agora, o júri do tribunal de Wisconsin veio a declarar o rapaz não culpado e que terá agido em legítima defesa.

Nova vaga

Os números revelam que a pandemia está a ultrapassar os limites em países em que a vacinação é baixa. Ou dizendo de outro modo, em regiões onde a recusa da vacinação teve maior impacto. Mais infetados, mais internados, mais mortos. É o reverso da medalha das manifestações e apelos contra a vacinação. A ignorância a revelar o seu lado mais sinistro, matando mais gente. De tal modo, é grande a tormenta que a Áustria se viu obrigada a interditar espaços públicos a quem não esteja vacinado.

Até sempre, Marília!

Para tornar mais negra a tragédia, que Marília nem imaginava que lhe estava a bater à porta, minutos antes do acidente, publicou um vídeo no avião que a transportava para lugares onde ia realizar vários espetáculos. Parecia uma jovem aparentemente calma, a debicar arroz, óculos escuros, tranquila, à espera do momento de aterrar.

O carro do ministro

O acidente mortal provocado há largos meses pela viatura que conduzia o ministro Eduardo Cabrita está transformado num pedaço do anedotário nacional. A fazer fé nas últimas notícias, em que se procura provar que o inditoso trabalhador do Escoural não estava a trabalhar aquando da sua morte é daquelas hipóteses que são tão ridículas como perniciosas.

Crises

A todas estas crises somam-se outras bem mais perigosas, de índole moral e cívica. Contaminados pelo efémero, incapazes de segurar o tempo para a reflexão, confundimos aprendizagem e comunicação com educação, produzindo jovens desorientados entre modelos sociais e comportamentais diferentes e, por vezes, em conflito.

Os Cúmplices

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