O retrato de Margarida Maldonado Freitas, a mulher que partilha a vida com António José Seguro: "Detesta fazer fretes"
Há três características que sobressaem na personalidade da mulher do novo Presidente da República: "A franqueza. A simplicidade absoluta. A força…". Além disso, "não dá nada de mão-beijada. Os seus sorrisos não são de circunstância. Detesta a obrigação de parecer bem." Quem o diz é o escritor Luís Osório.Margarida Maldonado Freitas já fez saber que não quer ter um gabinete no Palácio de Belém, como aconteceu com as suas antecessoras: Manuela Eanes, Maria Barroso, Maria José Ritta e Maria Cavaco Silva. Também não quer um lugar protocolar. Resumindo, a mulher do novo Presidente da República não quer ser primeira-dama.
Luís Osório dedicou-lhe o seu habitual 'Postal do Dia', crónica que escreve para a Antena 1, onde dá conta do seu encontro com a farmacêutica das Caldas da Rainha: "Conversei uma única vez com Margarida. Não a conhecia, mas quando falámos, quando demos um abraço no final das palavras, senti o que os seus amigos dela afirmam. Que a Margarida não dá nada de mão-beijada. Que os seus sorrisos não são de circunstância. Que detesta a obrigação de parecer bem ou de fazer fretes, mas quando gosta ou sente empatia as coisas tornam-se diferentes."
O escritor continua: "Conversámos do dia em que se conheceram. António José Seguro acabara de discursar no comício final da primeira volta. Margarida parecia feliz. Um pouco aliviada e bastante consciente de que, muito provavelmente, o marido iria à segunda volta. Contou-me que não foi à primeira vista. Aliás, na primeira vez que se viram, António ficou a efabular com a possibilidade, mas ela não lhe achou graça nenhuma. Uns dias depois a coisa mudou de figura, mas aí está mais uma prova de que para Seguro nunca nada parece ser fácil à partida."
Osório revela aquilo que mais o impressionou neste encontro com a farmacêutica das Caldas da Rainha: "A franqueza. A simplicidade absoluta. A força…talvez a sua primeira característica, a que mais impressiona. 'Amo o António, admiro-o muito, mas tenho a minha vida e não quero ser primeira-dama, quero continuar a trabalhar'. Não foi com estas palavras, o sentido era esse. O desejo de continuar a ser o que sempre foi. Uma mulher que criou postos de trabalho e responsabilidade perante pessoas que dela dependem. Além de a sua vida estar ali, nas suas duas farmácias nas Caldas Rainha. Junto dos seus clientes, dos seus velhotes, dos amigos de sempre, de uma terra que é parte de si."
"É muito bonito vê-los aos dois quando não há câmaras por perto. Vê-los aos dois mais a Maria e o António, os dois filhos orgulhosos dos pais, embora um pouco atordoados pelo peso de serem um foco dos olhares de gente que nem sequer conhecem. Margarida Maldonado Freitas nunca quis ser Seguro. Não por ter alguma dúvida na relação de mais de trinta anos, mas por também não ter dúvidas da responsabilidade de carregar a sua própria história, os seus próprios apelidos. Maldonado Freitas, a história da mãe e do pai, figuras marcantes nas Caldas da Rainha e de quem herdou quase tudo, a quem deve quase tudo", explica o também jornalista.
Embora não queira ser primeira-dama, Luís Osório não tem dúvidas quanto ao papel de Margarida Maldonado Freitas: "Estará ao lado do Presidente da República nos momentos em que não poderá deixar de estar. É esta pessoa que representa a força do tanto que se conquistou nestes 50 anos – o poder de as mulheres serem o que quiserem. O poder de terem uma vida independente. De não existirem em função do marido, mesmo que o marido seja o mais alto magistrado da nação. O poder do amor é esse. O de adormecer de mão dada com a possibilidade de cada um sonhar o seu próprio sonho."